Curitiba - O Tribunal Superior do Trabalho (TST) em Brasília suspendeu a decisão do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) do Paraná que julgou como legal a greve dos metalúrgicos da Audi-Volkswagen. A paralisação durou quatro dias e meio na semana passada. Na decisão, o TST suspendeu os efeitos da decisão do TRT paranaense que mandava reduzir a jornada de trabalho de 42 para 40 horas semanais e o pagamento dos dias parados.
A decisão do TST teve como base os termos de um acordo firmado entre a direção do sindicato e a montadora em 2001, quando foi implantado o projeto para fabricação do modelo Fox. O acordo prevê jornada de 42 horas semanais até março de 2005.
Para o sindicalista Oswaldo Ferreira Duarte, da Comissão de Fábrica da Audi-Volkswagen, o clima entre os metalúrgicos está muito tenso. Segundo ele, está difícil demovê-los da idéia de nova paralisação. O metalúrgico disse que os trabalhadores estão esgotados com o ritmo de trabalho na linha de montagem e querem acabar com banco de horas e a redução da jornada.
A decisão do TST será analisada em assembléia dos metalúrgicos que ocorre hoje na troca de turno às 15 horas. Posteriormente, representantes da direção da empresa vão manter um encontro já marcado com o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, Sérgio Butka. A montadora quer evitar nova paralisação e para isso quer o apoio do sindicato, que em 2001 assinou o acordo para produção do novo veículo.
Entre as decisões do TRT, o TST e a empresa só concordam o pagamento da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), no valor de R$ 2.950. A montadora queria pagar R$ 2.700. A montadora também informou aos trabalhadores que não abre mão do pagamento dos dias parados.
Em nota oficial, emitida pela assessoria de imprensa, a montadora disse que respeita a decisão do TRT do Paraná, mas salientou que a empresa está exercendo o seu direito de ''invocar a instância superior como forma de evitar prejuízos irrecuperáveis para a fábrica de São José dos Pinhais''. A montadora está preocupada em manter a meta de produzir 150 mil carros este ano. A Audi-Volkswagen condicionou a implantação do terceiro turno de trabalho e o desenvolvimento de novos produtos ao acordo com os trabalhadores.
A decisão do TST corresponde a um julgamento preliminar, cujo resultado é semelhante a uma liminar. Agora a instância superior vai julgar o mérito. Na avaliação do sindicalista Jamil D'Avila, da Comissão de Fábrica, com a decisão da empresa de recorrer ao TST, a sentença do TRT que foi bem recebida pelos trabalhadores, pode se transformar num empecilho ao direito de reivindicação. ''Isso porque enquanto o tema estiver sob análise no TST, os trabalhadores ficam com as conquistas suspensas e o direito de greve fica cerceado porque a sentença do TRT determina uma multa diária de R$ 500 por funcionário que não retornasse às atividades'', avaliou D'Ávila.

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