TST quer promover retomada das negociações
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 30 de setembro de 2004
Folhapress 
Brasília - O presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Vantuil Abdala, vai intermediar a retomada das negociações entre bancos e bancários na tentativa de acabar com a greve da categoria. Abdala criticou a decisão do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo que, na quarta-feira, determinou a abertura das agências no Estado com pelo menos 60% dos funcionários. ''Não cabe a mim fazer avaliação da decisão dos tribunais. Mas há a inconveniência de que haja tentativas de soluções regionais, que não vão levar a solução alguma. A solução tem de ser global'', disse. A greve dos bancários já dura 17 dias e é a mais longa dos últimos 14 anos.
Ontem, Abdala esteve reunido com líderes do movimento grevista e afirmou que a greve chegou a um ponto ''perigoso e delicado'', pois houve um distanciamento entre as partes. ''Eles (bancários) estão conscientes de que devem ceder em alguma coisa, mas não vão retornar ao trabalho se não houver negociação.'' Abdala disse que a ''participação'' do TST nas negociações é informal, porque não há dissídio coletivo nem mediação oficial do tribunal no conflito. ''É uma tentativa informal de aproximar ambas as partes.'' Se a greve for a dissídio, o presidente do tribunal atuará no julgamento do caso.
O presidente da Confederação Nacional dos Bancários, ligada à CUT (CNB-CUT), Wagner Freitas, relatou que os trabalhadores têm intenção de resolver o conflito e enviou uma carta ao presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Márcio Cypriano. Na carta, o movimento pede que as negociações sejam retomadas. Segundo Freitas, não houve resposta.
Hoje, o presidente do TST deverá se reunir com representantes da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) e diretores dos bancos públicos - Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. A intenção é marcar para segunda-feira um encontro entre bancos e bancários.
Para Abdala, o melhor seria que não houvesse a participação do tribunal nessa reunião para permitir a livre negociação. ''Mas, se as partes entenderem que é necessário, participaremos da reunião, que pode até ser aqui no próprio tribunal'', adiantou.


