TRT julga abusiva greve da Volvo em Curitiba
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sexta-feira, 10 de janeiro de 1997
Carmem Murara Sucursal de Curitiba 
Os juízes do Tribunal Regional do Trabalho julgaram ontem abusiva a greve dos metalúrgicos da Volvo do Brasil. A decisão da Justiça deve encerrar o movimento grevista, que entraria hoje no terceiro dia. Os funcionários fazem uma assembléia às 8 horas da manhã para definir o retorno ao trabalho. A orientação do sindicato é acabar com a paralisação assim que terminar a reunião com os empregados.
A sessão que julgou a greve demorou menos de meia hora. Por quatro votos contra dois, os juízes entenderam que o Sindicato dos Metalúrgicos do Paraná não cumpriu as exigências da lei de greve. O sindicato não teria avisado a diretoria da Volvo que pretendia iniciar uma greve. A empresa deveria ser comunicada com pelo menos 48 horas de antecedência.
O Sindicato dos Metalúrgicos alegou que cumpriu todas as etapas antes de iniciar a greve. O presidente do sindicato Sérgio Butka disse que a negociação com a empresa vem desde dezembro, mês da data-base dos metalúrgicos. Perdemos só a batalha, mas não a guerra, declarou Butka, após a decisão dos juízes.
Sem multaDurante a sessão de votação, o juiz Tobias de Macedo Filho chegou a propor que o sindicato pagasse uma multa diária de R$ 5 mil, caso os metalúrgicos não voltassem ao trabalho imediatamente. A proposta não foi aceita pelos demais juízes.
Macedo queria ainda que os trabalhadores começassem a trabalhar às 17 horas de ontem, quando haveria troca de turno. Mas os próprios representantes da Volvo convenceram o juiz de que o retorno não surtiria efeito algum antes das 8 horas de hoje. O grupo que entraria no final da tarde não conseguiria retomar a produção. A Volvo deixou de produzir 15 caminhões e sete ônibus por dia no período da paralisação.
Os sindicatos patronal e dos metalúrgicos vão ter uma audiência de conciliação no próximo dia 16. A empresa mantém a proposta de dar reajuste salarial de 9% para quem ganha até R$ 800, 7% para os que recebem até R$ 2 mil e R$ 140 fixos para quem ganha acima de R$ 2 mil. Os metalúrgicos pedem um reajuste linear de 10,62% e abono salarial de R$ 700. Se não houver acordo, o Sindicato dos Metalúrgicos promete mobilizar os trabalhadores para uma nova greve.


