TRT exige que bancos abram com 60% dos funcionários
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quarta-feira, 29 de setembro de 2004
Agência Estado 
São Paulo - O movimento grevista dos bancários paulistas sofreu ontem a maior derrota desde o início da paralisação, que entra hoje no 16º dia. O juiz Pedro Paulo Teixeira Manus, vice-presidente judicial do Tribunal Regional do Trabalho da 2 Região, em São Paulo, determinou em medida liminar que 60% do contingente de bancários de cada agência deverá trabalhar a partir de hoje. Com a decisão, a Justiça obriga todas as agências a reabrirem imediatamente.
A categoria anunciou que vai desafiar a decisão e manterá os piquetes para fechamento dos bancos. Bancários ligados à federação estadual, que representa os trabalhadores do interior, também terão de cumprir a liminar. A decisão inclui os bancos públicos e pode repercutir em outros pontos do País, já que o movimento grevista deu a largada em São Paulo. O presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), ministro Vantuil Abdala, chegou a dizer que a instituição aguardava o resultado da reunião de conciliação de ontem em São Paulo e estava pronta para recepcionar uma ação de dissídio coletivo.
O juiz paulista fixou em R$ 200 mil a multa diária sobre o sindicato pelo descumprimento da decisão. A liminar quebra a principal sustentação da greve dos bancários. O movimento, ainda que parcial, mantém-se ativo mediante o fechamento total de algumas agências. O Sindicato dos Bancários de São Paulo informou que entrará hoje com uma medida cautelar no TRT contra a decisão. A entidade optou por esse instrumento e descartou um mandado de segurança no TST em Brasília. O principal argumento contra a liminar é de que a decisão obriga o funcionamento de todas as agências com 60% de seus funcionários, quando a lei de greve fixa um porcentual geral para a categoria, não se limitando aos locais de trabalho.
A alegação da categoria é de que a paralisação afeta cerca de 200 agências em toda a base, menos de 10% do total de agências e unidades administrativas na capital. Em assembléia, os bancários também decidiram manter a greve, apesar da liminar.
Aposentados - No despacho, o juiz atrelou a decisão a eventuais problemas que poderão ser enfrentados pelos aposentados a partir de amanhã, quando iniciam os pagamentos dos benefícios. ''(A paralisação) coloca em risco real o cadastramento de novos aposentados no próximo dia 1º de outubro, o que não pode ser feito pelos meios alternativos de acesso à rede bancária'', afirmou.


