TRT atende metalúrgicos e concede 10%
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sexta-feira, 17 de novembro de 2000
Agência Folha De São Paulo 
Uma decisão inesperada acabou com a maior greve de metalúrgicos do País desde setembro de 1994. Ontem, o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 2ª região decidiu em julgamento que as montadoras serão obrigadas a dar reajuste salarial de 10% para todos os 60 mil trabalhadores do setor no Estado de São Paulo. A mesma medida vale para as empresas de autopeças, que também terão reajuste de 10%.
Com isso, as centrais sindicais decidiram pôr fim à paralisação, já que elas reivindicavam um índice (10,5%) próximo ao concedido. As montadoras ofereciam 6,5%. Cabe, porém, recurso da decisão do TRT, e as montadoras já estudam o caso.
Fui surpreendido, disse Luiz Marinho, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Estou surpreso, não sei dizer o que houve, afirmou Cassio Mesquita Barros, advogado que representou o Sinfavea, sindicato das montadoras.
Em pouco mais de 20 minutos, os oito juízes do tribunal e o presidente do TRT, Francisco Antonio de Oliveira, opiniram e decidiram pelos 10% numa vitória apertada e com mudanças nos votos. Quatro dos nove juízes julgaram correto um aumento de 9% e os outros cinco apoiaram a proposta da relatoria (10%).
Minutos antes do término do julgamento, dois juízes mudaram de opinião. Floriano Vaz da Silva retomou a palavra, retirou seu voto de apoio aos 9% e deu aval à proposta de 10%. Outro juiz, Argemiro Gomes, fez o mesmo: em vez de continuar a favor dos 7% de aumento, idéia proposta por ele, Gomes engrossou a lista dos que achavam justo 10%.
Com a decisão, os juízes do TRT questionaram as centrais a respeito do final da paralisação e medida foi aceita imediatamente pelos sindicatos dos trabalhadores. No tribunal, havia um misto de perplexidade e decepção de um lado, e espanto e alegria do outro. Os sindicalistas ficaram surpresos, mas comemoraram. Os patrões tentavam entender o que havia acontecido. Havia indicações percebidas até pelos sindicalistas de que o colegiado do TRT dificilmente atenderia a proposta dos trabalhadores. As centrais tinham certeza de apenas três votos favoráveis. O Sinfavea deve recorrer da decisão no TST (Tribunal Superior do Trabalho).
Havia 12 montadoras paradas no Estado de São Paulo e 60 mil metalúrgicos de braços cruzados desde a segunda-feira. Hoje, acontecem assembléias de trabalhadores para confirmar o fim da greve.


