TRT adia julgamento sobre Renault
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segunda-feira, 12 de agosto de 2002
Vânia CasadoEquipe da Folha 
Curitiba - O Tribunal Regional do Trabalho (TRT) adiou por 30 dias o pedido de julgamento da ilegalidade da greve de funcionários da Renault. O TRT espera que nesse prazo seja aberto um canal de negociação para se resolver o impasse criado pela montadora com o anúncio da redução de um turno de trabalho. A empresa está em férias coletivas nesta semana.
O adiamento foi comemorado pela diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos. De acordo com o presidente da entidade, Claudio Gramm, a Renault pediu o julgamento de uma greve que considera ilegal e abusiva, mas que ''na verdade foi uma paralisação decorrente de protestos dos trabalhadores'' com o anúncio do PDV (Programa de Demissão Voluntária), para a dispensa de 140 metalúrgicos.
Com a redução de um turno de trabalho, o sindicato está preocupado com o aumento da incidência de trabalhadores com LER, lesões por esforço repetitivo. Isso porque a montadora está concentrando num só período praticamente a produção de dois turnos. A empresa comunicou que vai diminuir a fabricação diária de 50 veículos, passando de 325 para 275.
A Delegacia Regional do Trabalho (DRT) marcou uma reunião, ontem, para que a Renault apresentasse um estudo da organização dos novos postos de trabalho com a concentração da produção num só turno de trabalho. A DRT convocou especialistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que concordaram com a previsão de aumento do quadro de trabalhadores lesionados, situação que pode onerar ainda mais os cofres públicos. A Renault não enviou representantes à reunião.
De acordo com o sindicato, antes eram produzidos cerca de 290 veículos em dois turnos de trabalho. A empresa sustenta que eram produzidos 325 carros. O sindicalista Paulo Pissinini argumenta que a concentração do trabalho num turno só vai exigir mais do trabalhador. ''Se antes o metalúrgico estava montando uma média de 18 a 20 veículos por hora, agora vai montar entre 30 e 40, o que aumenta as chances do trabalhador contrair LER.''
Por determinação da DRT, foi montada uma comissão que terá a participação de especialistas para avaliar os casos de trabalhadores lesionados.


