Troca de títulos pode dar alívio de US$ 4 bilhões
Depois de concretizar a megatroca de títulos públicos que vencem nos próximos cinco anos, por outros de prazo maior, a Argentina deve deixar de desembolsar entre US$ 3 bilhões a US$ 4 bilhões por ano até 2005. O custo desse alívio financeiro, entretanto, deve sair caro para o país, principalmente se pagar por esses novos papéis taxas de juros nominais entre 9% e 15%, como o mercado local vem estimando nos últimos dias.
De acordo com planos da operação, o governo argentino prevê emitir sete novos títulos (Bônus do Tesouro e Bônus Globais), com vencimentos que vão de 2002 a 2031. O montante, também de acordo com estimativas de analistas, deve ficar em torno de US$ 15 bilhões, embora o governo tenha insinuado que o swap somaria entre US$ 20 bilhões e US$ 25 bilhões. O ministro de Economia, Domingo Cavallo, esclareceu ontem, em rápida entrevista à Agência Estado, que o volume da troca de títulos será decidido pelo próprio mercado.
Para Alberto Ades, diretor executivo do Goldman Sachs Group, o volume de dívida a ser trocado deve ficar menor ao que o governo espera conseguir porque, até agora, a Argentina não conseguiu esclarecer nem explicar direito sobre essa operação, razão pela qual os investidores vêm mostrando certo ceticismo para voltar a financiar o país. Cavallo disse, no entanto, que a equipe econômica vai esclarecer as dívidas dos investidores em road shows que vão começar esta semana, na Argentina, e na próxima, no exterior. Quero lembrar que o swap é uma operação em andamento que vai remover os rumores e as ansiedades do mercado em relação à Argentina, acrescentou o ministro. Os bancos locais, por exemplo, têm em suas mãos bônus que se aproximam de US$ 15 bilhões. Dessa cifra, essas instituições estariam dispostas a trocar apenas um quarto. Ou seja, US$ 3,75 bilhões. (Vladimir Goitia)





