Troca de ministro derruba preço do café
De Curitiba
O novo ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, enfrenta ainda essa semana o primeiro desafio de sua gestão. Vai receber uma comissão de produtores e deputados federais paranaenses, irada com a falta de sensibilidade do governo em relação à cafeicultura, num momento que a colheita está no auge, no Paraná. Para o produtor Wilson Baggio, membro do Conselho Deliberativo da Politica Cafeeira e presidente da Comissão Técnica do Café da Faep, a troca de ministros e a retirada do produto da área de influência do ministério da Indústria e Comércio afetou a comercialização.
Os instrumentos de apoio à comercialização do café já estavam acertados com os membros do governo que hoje encontram-se demissionários. Com isso as negociações voltam à estaca zero em plena colheita. Para Baggio, a troca de ministros e a falta de recursos derrubaram os preços do café no Paraná.
Nos últimos 15 dias os preços recebidos pelos cafeicultores caíram 15%, informou a engenheira agrônoma do Deral, Margorete Demarchi. A saca de café beneficiado que foi negociada, em média, por R$ 143,40, em junho, recuou para R$ 122,40 a saca esta semana.
A retirada do café da pasta da Indústria e do Comércio foi feita sem consulta às bases num momento inadequado, criticou o produtor. Além disso, estava acertado que os cafeicultores teriam uma linha de crédito de R$ 250 milhões para a sustentação da política de apoio à colheita. Com os recursos, os produtores poderiam armazenar a produção e evitar a derrubada dos preços.
Além disso, a partir desse mês os cafeicultores começam a ser pressionados pelos vencimentos das dívidas de R$ 400 milhões a R$ 500 milhões. Sem crédito, o cafeicultor está colhendo de qualquer jeito e vendendo barato. Baggio alerta: a crise pode estar só no ínicio.
Baggio destacou ainda que a troca de ministros e dos interculocutores da cafeicultura ocorreu no meio de importantes negociações internacionais como a reunião da Associação dos Países Produtores de Café (APPC), no ínicio desse mês, em Brasília. Os países envolvidos estipularam o volume de exportações de café para as próximas duas safras, com o objetivo de dar sustentação aos preços do produto que têm tido constantes quedas no mercado internacional.
Conforme ficou acordado na reunião, os países da APPC exportarão somente 50 milhões de sacas por ano-safra, e o Brasil como maior exportador mundial está na expectativa de colher uma safra recorde de 40 milhões de sacas no ano que vem. Desse total, o país só vai poder exportar 15 milhões de sacas no ano-safra que se inicia e 17 milhões de sacas no ano que vem. Para evitar que ocorra um novo ciclo de preços aviltantes, o cumprimento desse acordo depende de recursos para estocagem da produção excedente das safras, avisou Margorete Demarchi, do Deral.





