Troca de geladeira vai reduzir consumo
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sábado, 29 de abril de 2006
Biaggio Talento<br> Agência Estado 
Salvador A convivência da catadora Maria de Fátima Souza Reis com sua velha geladeira Brastemp não é fácil. Ela inventou um ''sistema'' para manter a porta fechada: amarrou duas tiras de borracha de pneu na parte de trás do aparelho e prendeu num gancho de ferro na outra ponta, com o qual prende a porta graças à pressão. Além disso, precisa vedar um dos lados da porta com sacos plásticos e só pode abrir a geladeira calçada e com um pano na mão, ou levará choque. Mas seus dias de sofrimento estão contados. Ela será uma das beneficiadas do programa que o Grupo Novaenergia (controlador das concessionárias Coelba da Bahia e Celpe de Pernambuco) assina, na terça-feira, com o Ministério do Meio Ambiente, que resultará na substituição de geladeiras velhas por novas.
Devem ser distribuídas 12 mil geladeiras novas de 260 litros na Bahia, com investimento de R$ 10 milhões. A idéia é eliminar os aparelhos antigos de comunidades carentes, que provocam consumo excessivo de energia e liberam o nocivo gás clorofluorcarbono (CFC), um dos responsáveis pela destruição da camada de ozônio, por geladeiras eficientes com o Selo Procel/Inmetro. A ação está prevista no acordo assumido pelo Brasil perante o Protocolo de Montreal, termo de responsabilidade ratificado por 180 países com objetivo de reduzir a emissão do CFC.
Maria mora numa casa de três cômodos no bairro Cajazeiras 8, periferia de Salvador. Tem renda mensal em torno de R$ 150, vendendo lixo reciclável, com a qual sustenta seis pessoas. A velha Brastemp é a responsável pela maior parte do seu consumo de energia, em média 130 kilowatts/mês. Mesmo com o desconto na conta que recebe por ter renda baixa, paga R$ 55,54 de conta de luz. Quando trocar a geladeira, o consumo deve ser reduzido à metade. ''Agradecerei a Deus quando isso ocorrer'', disse. Segundo a Coelba, uma geladeira velha pode responder por até 70% do consumo residencial de energia da população de baixa renda.
Hildaberte Cerqueira Gonçalves, moradora do Jardim das Mangabeiras, cuja principal renda são os R$ 65 que recebe do Bolsa Família, nem lembra há quanto tempo tem a geladeira. ''Custou R$ 100 e quem me vendeu de segunda mão foi uma vizinha'', contou. O aparelho está com o termostato defeituoso, que fica ligado ininterruptamente. ''Quando o pessoal da Coelba falou que eu ia ganhar uma geladeira nova, agradeci a Deus''. Sustentando dois filhos, Hildaberte gasta R$ 51,58 de energia. ''O que sobrar, vou usar para comprar comida'', resumiu.
A Coelba contou com a ajuda de assistentes sociais que já trabalham para a empresa nas comunidades carentes para identificar e cadastrar as casas com geladeiras velhas, inserindo-as no programa. A companhia também realiza o trabalho de substituição de fiação antiga e orienta os moradores a economizar energia. O CFC das geladeiras velhas será extraído por técnicos.


