Troca com troco é saída para devedor
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domingo, 26 de julho de 1998
Agência Estado 
Arquivo FolhaSaída originalRevendas exploram filão da inadimplência: para o devedor, a vantagem é alongar o prazo para o pagamento, já que o cheque especial tem que ser quitado rapidamente e o financiamento junto à revendedora pode ser saldado em até 36 mesesTrocar uma dívida por outra, mas com juros mais baixos. Isso é possível de ser conseguido com o sistema troca com troco, que vem crescendo em concessionárias de veículos. O negócio funciona da seguinte forma: o proprietário vende para a rede o seu veículo usado e parte desse valor pode ser utilizada como entrada no financiamento de um automóvel zero-quilômetro. O restante do dinheiro obtido com a venda, normalmente, é destinado para a quitação de débitos com cheque especial ou cartão de crédito.
Para o matemático José Dutra Vieira Sobrinho, vale a pena quitar a dívida do cheque especial e cartão, que têm porcentuais em torno de 11% ao mês, com o dinheiro do carro usado e entrar no financiamento do carro novo, porque as taxas são bem menores, em torno de 1% a 3% ao mês.
Se, por exemplo, o proprietário de um veículo avaliado em R$ 8 mil optar pela troca com troco e tiver de volta R$ 4 mil, poderá dar uma entrada de R$ 4 mil no leasing de um Fiesta, quatro portas, de R$ 12.290,00. Nesse caso, o parcelamento em 36 meses resultará em R$ 350,00 mensais, com juro de 2,33% ao mês. Se a dívida do cheque especial estiver, por exemplo, em R$ 4 mil, só de juros o correntista pagaria mensalmente R$ 440,00, enquanto a prestação do financiamento do novo veículo fica bem abaixo.
A gerente geral de Vendas da concessionária Caltabiano Ford, Maria de Lourdes das Neves Gameiro, explica que 20% das vendas atualmente são feitas por meio desse sistema. Na Sopave, da Volkswagen, a troca com troco representa 10% do faturamento. Para o diretor da concessionária, Naul Ozi, na hora de escolher o carro novo para ser financiado, o consumidor deve preferir um de preço aproximado do seu antigo. Se ele fizer uma dívida muito grande, poderá criar um buraco ainda maior do que o do cheque especial.
Para Ozi, a vantagem do sistema é a possibilidade de alongar o prazo para pagamento das dívidas. É que, enquanto a conta do cheque especial tem de ser quitada rapidamente, a da compra parcelada do carro tem duração de 36 meses. A desvantagem é que o preço pago na concessionária pelo carro usado poderá ser inferior ao pago no mercado.
Em algumas revendas da Ford em São Paulo, a entrada mínima tem de ser de 5% do financiamento. Exceto esse limite, o dono do veículo decide quanto quer ter de troco. O sistema pode ser feito por meio de financiamento ou leasing. A vantagem dessa última modalidade são as taxas menores. O consumidor pode escolher entre taxas prefixadas e pós-fixadas. Eu sugiro planos prefixados, porque depois das eleições podem ocorrer mudanças cambiais, diz Naul Ozi, da Sopave.
Juro menorA compra por meio do leasing com variação cambial é a segunda opção mais procurada no mercado de carro. Nesse caso, o juro mensal cobrado, para um mesmo prazo e porcentual de entrada, costuma ser mais baixo do que a taxa embutida no leasing prefixado .
Mas, além de juro, que varia dependendo do porcentual dado de entrada, as prestações nesse sistema embutem correção mensal de acordo com a variação do dólar comercial. Por isso, a opção costuma ser feita apenas por quem acredita que o preço do dólar tende a ter pequenas oscilações mensais. Este ano, o dólar comercial subiu 0,72%, em janeiro; 0,57%, em fevereiro; 0,55%, em março; e 0,63%, em abril.


