Tritec pode ser transferida para a China
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sexta-feira, 22 de junho de 2007
France Presse 
ChongQing, China - Comprar uma fábrica no Brasil e mudá-la para a China: esse é um plano tão simples quanto complexo, levado em conta seu nível de ambição, mas se existe alguém capaz de fazê-lo, esse é o multimilionário chinês Yin Mingshan, assim, é claro, que o governo brasileiro der sinal verde para seu arrojado projeto.
''O Brasil nos disse que podemos comprar a fábrica, mas só se concordarmos em não tirá-la do lugar'', disse Yin, de 69 anos, fundador e diretor da Chongqing Lifan Holdings, uma gigante das motocicletas que agora espera juntar outra fortuna através de automóveis.
A fábrica em questão é uma joint venture de 50% entre a DaimlerChrysler AG y Bayerische Motoren Werke AG (BMW), avaliada em US$ 500 milhões e situada em Campo Largo, Região Metropolitana de Curitiba, onde produz motores Tritec de 1,4 e 1,6 litro.
A Lifan, cuja sede se encontra na agitada metrópole chinesa de Chongqing, é um dos compradores destes motores. Eles são instalados no Sedan 520, lançamento da empresa que se aventura assim no setor automobilístico. Mas além de ser um simples cliente, a Lifan tem manifestado há tempos seu interesse em comprar a fábrica.
Uma decisão final sobre o assunto precisa ser adotada logo, já que o contrato de joint venture entre a Chrysler e a BMW expira no final de junho, o que força a uma decisão sobre o futuro da companhia.
A fábrica do Brasil interrompeu sua produção em meados de junho e não fez nenhum novo anúncio sobre quando voltará a funcionar. Seus 382 empregados aguardam em casa.
Yin disse que só pode especular sobre as razões pelas quais o governo brasileiro se nega a permitir o translado da fábrica, mas sugeriu que a perda de empregos talvez seja a maior preocupação. Os sócios da joint venture não quiseram se comprometer quanto ao futuro da fábrica brasileira.
''Estamos explorando futuras opções para a joint venture do Tritec, mas ainda é prematuro discuti-las até esse ponto'', disse Trevor Hale, um porta-voz da DaimlerChrysler. ''É possível que os atuais acordos possam ser estendidos com o fim do atual contrato'', completou.
A permissão para mudar a fábrica de lugar provavelmente é um requisito indispensável para a Lifan comprá-la, consideram analistas. ''Se não transportarem a fábrica e embarcarem os motores terminados para a China, os custos serão muito mais altos'', apontou Jia Xinguang, um analista da consultora China Automotive Industry Consulting and Development Corp, baseado em Pequim.


