A Ferrovia Paraná Oeste está caracterizando Cascavel como um dos mais importantes entroncamentos rodoferroviários do estado, contribuindo para ampliar a polarização do Paraná nas regiões de fronteira de Paraguai e Argentina e no Centro-Oeste, e tendo como desaguadouro o Porto de Paranaguá. O terminal de Cascavel está às margens da BR-277 (a quinze quilômetros da cidade), da qual caminhões fazem o transbordo de cargas para os vagões, com transporte já há alguns meses em escala comercial para embarque em navios em Paranaguá.
O governador Jaime Lerner acha viável a extensão de ramais a Foz do Iguaçu - para que os trilhos fiquem mais próximos de Paraguai e Argentina, e a Guaíra - mais próximos do Paraguai e Mato Grosso do Sul. Quando isto acontecer, o entroncamento será definitivamente consolidado. No final de agosto, o presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, autorizou a instalação de uma Estação Aduaneira do Interior (Eadi) - ou porto seco - em Cascavel, que deve funcionar junto ao terminal, como uma ‘‘extensão’’ de Paranaguá, para desembaraço de exportações e importações.
O deputado federal Hermes Parcianello (PMDB), que é de Cascavel, procurou durante a semana a Receita Federal, em Brasília, para ‘‘obter garantias’’ de que o porto seco será efetivamente implantado. Segundo ele, empresários, principalmente ligados à Associação Comercial e Industrial de Cascavel, manifestaram a preocupação de que a Eadi seria deslocada para Foz do Iguaçu, mas o secretário da Receita, Everaldo Maciel, ‘‘assegurou que ela estará em Cascavel’’, restando apenas definição de prazo para implantação, através de outorga de permissão à iniciativa privada.
As obras da ferrovia, iniciadas em 92, estão definitivamente concluídas, submetidas agora apenas a ‘‘ajustes de rotina’’, segundo o engenheiro Sérgio Negrão, da Diretoria de Obras da Ferroeste. No terminal, caberá à iniciativa privada criar sua própria estrutura de armazenagem e embarque, complementando a já implantada pela Ferroeste. A empresa também se responsabiliza pela construção de um trevo na BR-277 e acesso ao pátio de manobras, com quatro vias de tráfego, com investimento de R$ 844 mil, em 70 mil metros quadrados de pavimentação, com trabalhos devendo ser encerrados em janeiro.
A ferrovia está sendo operada comercialmente há alguns meses, e já foram embarcadas duzentas mil toneladas de grãos e farelo de soja indústrias de Ponta Grossa e Curitiba e para Paranaguá. Segundo Sérgio Negrão, é possível que o ano seja completado com o embarque de 230 mil toneladas. Os vagões - da Rede Ferroviária Federal, utilizadas em comodato - também têm trazido cimento e insumos agrícolas, nas viagens de retorno do porto. No caso do calcário, oriundo da região de Almirante Tamandaré (Região Metropolitana), ainda há dificuldades para os embarques.
Sebaldo Waclawovsky, diretor-secretário da Cooperativa Central Regional Iguaçu (Cotriguaçu), de Cascavel, relata que embarques experimentais ‘‘evidenciaram as deficiências’’, como moegas mais adequadas. A Cotriguaçu, que integra seis cooperativas de produtores do Oeste/Sudoeste paranaense, opera uma indústria de calcário em Almirante Tamandaré, que abastece suas filiadas. A Cotriguaçu foi a principal acionista da Ferroeste S.A., depois do Estado, na época de sua composição, entrando com US$ 516 mil, o que representava 22% do capital inicial da empresa.
Hoje, esta participação foi reduzida para cerca de 2%, por causa das inversões feitas pelo governo do Estado. A Central não manifestou disposição de aderir à uma chamada de capital que está sendo feita pela Ferroeste, pois teria que subscrever cerca de R$ 2 milhões, ‘‘o que para nós é impossível, de momento’’, diz Sebaldo Waclawovsky. O diretor acha ‘‘muito positivo’’ o processo de concessão da ferrovia à exploração pela iniciativa privada, ‘‘porque é inegável que o Estado não tem como continuar fazendo grandes aportes de recursos’’ - até aqui, R$ 350 milhões - ‘‘embora o grande significado estratégico da ferrovia’’, completa.

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