ArquivoDe qualidadeSafra de trigo está sendo colhida e apresenta boa qualidade de grãos e alto rendimento O início da comercialização de trigo no Paraná revela que este ano os produtores terão uma rentabilidade positiva com uma margem de ganho entre 7% e 10%. Os lotes estão sendo comercializados a R$ 170,00/tonelada, segundo a Ocepar. A expectativa é que o valor bruto da produção seja de R$ 260 milhões com a comercialização de 1,6 milhão de t de trigo que já está sendo colhido. Esse faturamento é semelhante ao do ano passado, quando a safra foi maior: 1,97 milhão de t, mas o preço pago ao produtor na época foi menor, caindo abaixo do preço mínimo, o que obrigou o governo a recorrer aos PEPs - Preço Escoamento da Produção - para garantir o preço mínimo.
A comercialização vai dar um fôlego para o produtor saldar a primeira parcela da securitização que vence em 31 de outubro, afirmou Nelson Costa, diretor técnico da Ocepar. Ressalvou que a margem de ganho será possível aos produtores que estão colhendo produtividade bem acima da média. Para as cooperativas, a comercialização do trigo vai permitir uma movimentação de recursos em função do pagamento de insumos que elas adiantaram.
Preço vai subir Mas na Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, a expectativa é que o preço pode melhorar ainda mais para o produtor. Para Norberto Ortigara, diretor do Deral, os produtores não devem se desesperar para vender rapidamente a produção porque existe espaço para ganho de preço que deverá compensar os custos com armazenagem. Segundo o Deral, o produtor está recebendo entre R$ 150 e R$ 160 a tonelada e no atacado, as cooperativas estão comercializando aos moinhos por R$ 170,00.
A situação favorável ao produtor este ano é que a oferta do grão está reduzida no mercado internacional. O trigo da Argentina que está sendo ofertado é de qualidade ruim e não agrada aos moinhos nacionais. Eles preferem o produto paranaense, que esse ano está revelando uma excelente qualidade em função do clima seco que favoreceu o desenvolvimento da cultura. Além disso o trigo importado dos EUA ou Canadá chegaria aqui muito caro, acima de US$ 230 a tonelada, o que leva os moinhos a optarem pela produção nacional.
Nelson Costa ressalta que o produtor deve aproveitar a onda favorável até meados de novembro porque a partir de dezembro começa a entrar a safra argentina no mercado e certamente os preços vão cair, prevê. Para Costa ainda não há indicativos de que o governo vá acionar os PEPs, já que a tendência não é de queda de preços até o final do ano. Ele avalia que não haverá problema de mercado para a comercialização do trigo nacional esse ano e que a produção deverá abastecer cerca de 35% da demanda (8,5 milhões de t).

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