Trigo tem prejuízo de R$ 600 milhões
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sexta-feira, 29 de novembro de 2002
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
O prejuízo médio com a quebra na safra de trigo paranaense deve atingir R$ 600 milhões. Prejudicadas pela seca e pela geadas, as lavouras deixaram de produzir um milhão de toneladas do grão, valor que supera as 800 mil toneladas a serem consumidas no ano pelo Estado.
De acordo com a previsão inicial do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab), a safra 2001/2002 atingiria 2,4 milhões de toneladas. As condições climáticas desfavoráveis, porém, reduziram a estimativa para R$ 1,46 milhão de toneladas.
O engenheiro agrônomo Otmar Hubner, do Deral, informou que a quebra é de 41%, com perda total de 60,6 mil hectares (ha). Até o início da semana, 99% das áreas já tinham sido colhidas e 73% da produção foi comercializada.
O Paraná é o maior produtor de trigo do Brasil. Nesta safra, o País produziu 3,1 milhões de toneladas, volume que não é suficiente para atender à demanda de 10,4 milhões de toneladas consumidas. Apesar da quebra, Hubner não acredita em risco de desabastecimento. ''O Brasil é um tradicional importador'', ressaltou. A Argentina, principal vendedora de trigo para os moinhos nacionais, vai dispor de 9 milhões de toneladas para exportação.
O preço médio da saca de trigo, anteontem, ficou em R$ 29,00 no Paraná. O valor é 79% superior à cotação de novembro do ano passado, mas inferior ao preço médio de outubro de 2002, quando a mercadoria foi comercializada a R$ 36,90. O custo de produção total de R$ 23,00 garante rentabilidade média de 26%.
A valorização do trigo, de acordo com o agrônomo do Deral, decorre da alta dos preços internacionais e do dólar. A tendência para as próximas semanas, entretanto, é de queda. A principal causa é o avanço da colheita argentina e a decorrente necessidade de vender o produto para o Brasil, principal comprador.
Indústria A quebra na safra de trigo não deve onerar a indústria. De acordo com Roland Guth, presidente da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), o grão importado custa o mesmo que a mercadoria nacional, cujo preço também é atrelado ao dólar.
Apesar de não haver risco de desabastecimento, o presidente da Abitrigo lamenta a quebra na safra. ''São R$ 600 milhões mandados para fora do País. O efeito multiplicador não vai ficar aqui'', opinou.
Para fugir da alta na cotação do trigo importado, que junto com o câmbio atingiu 180% no ano, o setor está buscando fornecedores não tradicionais, como Ucrânia e Rússia. Negócios com esses países devem ser fechados a partir do ano que vem, com expectativa de redução média de 20% no preço.


