Custos de produção mais baixos, juros em queda e câmbio oscilando entre R$ 2,40 e R$ 2,50 podem favorecer a comercialização do trigo em 2006. A previsão é do analista de mercado de trigo da Companhia Nacional de Alimentação (Conab), Gustavo Bracale, que participou, na manhã de ontem, de um encontro técnico realizado em Londrina pela Fundação Meridional, em parceria com a Embrapa Soja e o Instituto Agronômico do Paraná (Iapar). ''É o momento de o produtor vender o trigo da safra passada que ainda está estocado'', sugeriu.
Sem poder controlar variáveis como clima e taxa de câmbio, a Conab vê na garantia do preço mínimo uma importante saída para o escoamento da produção. Segundo Bracale, a venda de parte do estoque público para o Nordeste, a realização de contratos privados de opção (PROP) e a revisão da norma de classificação do trigo serão algumas das estratégias utilizadas pelo governo este ano para contornar a crise do setor.
O agrônomo Márcio Massao Ota, da Bunge Alimentos, assinalou que a qualidade do trigo comprometeu sua comercialização em 2005, principalmente no Paraná, onde a chuva atrapalhou a colheita. ''A produção paranaense foi bastante heterogênea na última safra e não conseguiu atender as demandas da indústria'', disse.
De acordo com Ota, com a valorização do real perante o dólar, aumenta a competitividade do trigo e da farinha importados. Além disso, a guerra fiscal entre os Estados também dificulta o aproveitamento dos créditos de ICMS oriundos das operações interestaduais. ''O acesso restrito à políticas de preço mínimo para produtores e cooperativas inviabiliza a compra direta dos moinhos e o elevado estoque do governo federal impede altas especulativas'', completou o agrônomo.
Para ele, o momento é de aprendizado. ''O trigo é uma cultura que requer tecnologia, rastreabilidade e qualidade, princípios que regem a agricultura moderna. Quem supera as adversidades do trigo, está pronto para trabalhar com qualquer outra cultura'', afirmou.
Mesmo com dificuldades, o cereal deverá ser a melhor opção para os produtores do Norte paranaense no inverno. Pelo menos quanto ao clima, conforme afirmou o meteorologista do Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar), Itamar Moreira, durante a reunião técnica. Segundo ele, está confirmada a ocorrência do fenômeno climático La NiÀa, que trará tempo seco para todo o Sul do País no primeiro semestre. ''A tendência é de oscilação e má distribuição espacial e temporal das chuvas'', previu. Já as temperaturas deverão começar a cair a partir de março.
O pesquisador da Embrapa Soja Luiz Cesar Tavares, do setor de transferência de tecnologia na área de trigo, explicou que o tempo seco favorece o cereal. ''Enquanto o trigo apresenta bom desenvolvimento com até 300 milímetros de chuva durante todo o ciclo, o milho safrinha precisa de pelo menos o dobro de água para produzir bem'', calculou.

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