A comercialização de trigo de qualidade superior, tipo 1, está fora dos leilões do PEP (Prêmio de Escoamento do Produto) no Paraná. Os leilões do PEP serão mantidos apenas para escoar o grande volume de trigo intermediário e comum, ainda em poder dos produtores. A decisão foi extraída de consenso entre representantes de produtores, cooperativas, indústrias e governo em reunião ocorrida, ontem, na Ocepar (Organização das Cooperativas do Paraná), com a presença do diretor do departamento de Agropecuária da Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Vilmondes Olegário e do presidente da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), Eugenio Stefanello.
Nesta quinta-feira, portanto, será realizado mais um leilão do PEP, em que deverão ser escoados 50 mil t do produto. A justificativa para eliminar o trigo tipo 1 dos leilões, é que o valor do produto no mercado já superou o preço mínimo, de R$ 157,00 a tonelada e portanto não tem mais sentido a interferência do governo. Atualmente o trigo tipo 1 está sendo cotado entre R$ 165,00 a R$ 170,00 a t. Olegário calcula que 5% do estoque de trigo que falta comercializar, avaliado entre 250 mil a 300 mil t, é trigo tipo 1.‘‘Portanto, 95% do trigo em estoque no Paraná ainda será escoado para o mercado’’, via leilão, garantiu.
Para o assessor de comercialização da Cooperativa Agropecuária de Campo Mourão (Coamo), Antonio Cardoso Garcia, alguns produtores mais capitalizados da região Norte que têm o trigo tipo 1, estão segurando o produto aguardando um possível aquecimento nos preços a partir de dezembro. Estima-se que existam aproximadamente 40 mil t de trigo de qualidade superior em poder dos produtores e eles estão de olho no desempenho da safra argentina, para desovar seus estoques.
No momento, esse tipo de trigo do Norte do Paraná ganha a preferência das indústrias, em função da qualidade. Isto porque os estoques existentes na argentina são remanescentes da safra 97, que teve a qualidade comprometida em função de chuva na colheita. ‘‘ Se chover novamente na colheita, em dezembro, certamente haverá um aquecimento no preço do trigo’’, disse Garcia.
O PEP do trigo no Estado foi iniciado em 10 de setembro, simultaneamente ao início da colheita. A comercialização, através deste instrumento, já atingiu 912,5 mil t, para uma produção estimada em 1,5 milhão de t. Nos estados de Mato Grosso do Sul e Minas Gerais, o leilão do PEP já foi extinto, porque os estoques se esgotaram informou Olegário. Em Santa Catarina, deverão ser realizados mais dois leilões, de 5 mil t cada um, até escoar o estoque atual que é de 10 mil t.

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