Trigo recebe menos insumo este ano
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quinta-feira, 25 de junho de 1998
Vânia Casado 
A falta de reajuste no preço mínimo do trigo nas últimas três safras e o aumento no preço dos insumos estão levando o produtor a investir pouco em tecnologia na lavoura. Nos últimos dois anos, o preço mínimo do produto apresenta uma defasagem de 15% enquanto o preço do fungicida, insumo mais caro utilizado na lavoura, aumentou entre 10% e 20% no mesmo período, constatou Otmar Hubner, técnico do Departamento de Economia Rural, da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento. A consequência desse desequilíbrio é a redução do potencial produtivo da lavoura, se o produtor não aplicar os insumos de forma adequada, em casos de infestação de pragas e doenças.
Até agora o clima no Paraná está propício ao desenvolvimento das lavouras. Cerca de 95% da cultura já está plantada e as chuvas que atingiram a maior parte do Estado durante a última semana vieram em boa hora. A escassez de chuva vinha ameaçando as lavouras de trigo do Oeste e Norte do Estado, que estão em fase suscetível à estiagem, afirmou Hubner. Mas o início da temporada de geadas rigorosas é preocupante, principalmente com a decisão do produtor de economizar ao máximo em insumos, acrescentou.
Segundo Hubner, em abril de 1996 o preço mínimo do trigo correspondia a US$ 159,00 a tonelada. Atualmente o preço mínimo equivale a US$ 138,00 a tonelada, distanciando-se ainda mais do custo de produção fixado hoje em R$ 181,00 a tonelada. Além da defesagem do preço mínimo, nas últimas duas safras a produção vem sendo comercializada graças à adoção do Prêmio de Escoamento do Produto (PEP), pelo governo federal.Não fosse esse mecanismo, ficaria muito difícil para o produtor competir com o produto internacional que chega aqui a custos inferiores à produção nacionalavaliou o técnico.
Para Flávio Turra, da Ocepar, se o governo concedesse um aumento no preço mínimo do trigo de R$ 157,00 para R$ 181,00 a tonelada, o impacto seria nulo para o consumidor final.A elevação no preço do pãozinho francês seria inferior a 1%.Em compensação para a produção nacional traria um benefício enorme, com o aumento do plantio e maiores investimentos em tecnologia.
Com o reajuste, o governo estaria reduzindo a dependência do país em relação à Argentina, que está em níveis preocupantes, alertou Turra. Ele aponta que o Brasil está importando 78% do trigo que consome. Diante disso, qualquer problema nas relações entre Brasil e Argentina, ou mesmo de clima, o País não terá um fornecedor para substituir a Argentina no curto prazo.
Na safra 97/98, o plantio no Paraná alcançou 842.000 hectares queda de 6% em relação à safra passada (898.000 ha). A expectativa de produção é de 1,66 milhão de toneladas, repetindo a safra do ano passado (1,62 milhão).


