Brasília - A questão do trigo trouxe divergências essa semana entre a área econômica e os ministérios da Relações Exteriores e da Agricultura. Os ministérios da Fazenda e do Planejamento estão preocupados com o alto preço do trigo e durante a reunião do Comitê de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex), o secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, Cláudio Considera, foi enfático ao defender a suspensão temporária da Tarifa Externa Comum (TEC) do Mercosul para a importação do cereal.
O Ministério da Agricultura e o Itamaraty, de acordo com uma fonte do Ministério do Desenvolvimento, foram contrários a essa idéia e, por isso, a proposta foi rejeitada pelo Gecex. Segundo um dos participantes da reunião, Considera afirmou que o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Amauri Bier, e o Ministério do Planejamento temem que a alta dos preços nos últimos meses possa ser repassada em breve para o preço do pãozinho e, consequentemente, tem reflexos no indíce de inflação deste ano.
De acordo com o secretário de Produção e Comercialização do Ministério da Agricultura, Pedro de Camargo Neto, a safra nacional de trigo está começando neste momento, e importações com isenção da TEC poderiam prejudicar os produtores, em plena colheita. O Itamaraty defendeu uma negociação com o governo da Argentina para a suspensão da sobretaxa de 20% estabelecida para as exportações de trigo e outros grãos no início do ano, em razão da crise econômica que o país enfrenta.
''A suspensão da TEC seria muito mais danosa para as vendas de trigo da Argentina para o Brasil do que o fim do imposto de 20%'', disse Camargo Neto. ''Talvez tenhamos boas chances nesta negociação, sem esquecer que o imposto cobrado pelo governo argentino para a exportação de farinha de trigo é menor que o tributo para o grão.''
Ao ser procurado pela Agência Estado, Considera informou que não cometaria o assunto. A TEC para o trigo é de 11,5%. Os próprios exportadores argentinos de trigo pedem o fim do imposto de 20%. O jornal argentino Clarín publicou esta semana que o presidente da Federación Argentina de la Industria Molinera, Carlos Boero, pediu ao governo Duhalde o fim do tributo.
Boero alegou que enquanto o imposto estiver em vigor, as exportações do País seguirão em queda e, ao mesmo tempo, os preços domésticos do trigo e do pãozinho não estão caindo. Quando impôs a taxação, o governo da Argentina argumentou, entre outras razões, que uma retenção nas exportações de trigo faria baixar os preços internos da farinha de trigo e do pão.

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