Curitiba - A produção paranaense de trigo da safra 2001/02 sofreu quebra de 31,6%, o que representa prejuízo de R$ 362,4 milhões. O levantamento preliminar foi divulgado ontem pela Secretaria Estadual da Agricultura e Abastecimento (Seab). Os principais motivos foram a seca registrada entre junho e julho no Norte, e as fortes geadas fora de época ocorridas no início deste mês no Centro-Sul do Estado. O total dos prejuízos financeiros da agricultura do Estado, incluindo outras culturas,é de R$ 426 milhões, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral), órgão vinculado à Seab.
Com a quebra, a estimativa atual de produção de trigo, no Paraná, caiu para 1,6 milhão de toneladas. Por causa da estiagem, a quebra foi de 292 mil toneladas e a geada de 482 mil toneladas. Só com as geadas, o prejuízo chegou a R$ 213,7 milhões. Os produtores paranaenses semearam um milhão de hectares de trigo, o que representou um crescimento de 20%. Pela estimativa inicial, o Estado iria colher 2,4 milhões de toneladas, o que representaria a maior produção de trigo do Paraná desde o início da década de 90.
As lavouras de trigo foram afetadas pela estiagem nas fases de desenvolvimento vegetativo e floração, provocando uma quebra de 12% na produção. Mas, com exceção das regiões atingidas, a perspectiva era de uma boa produção até a ocorrência das geadas.
As geadas afetaram aproximadamente 500 mil hectares que encontravam-se em fase de floração e frutificação, resultando em quebra de 22% na produção, ou 482 mil toneladas. Cerca de 74 mil hectares foram totalmente perdidos.
O Paraná é responsável por 60% da produção nacional de trigo. Há uma semana, o Sindicato e Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar) divulgou que os prejuízos com as perdas do cereal no Estado poderiam chegar a R$ 180 milhões.
Além do trigo, as geadas causaram perdas de 52% nas lavouras de cevada, totalizando prejuízos de R$ 21,5 milhões, e de 33,4% no triticale, o que representará redução de R$ 22,6 milhões na receita da cultura. Da safra de verão, foram perdidos 66 mil hectares de feijão, com prejuízos de R$ 19,4 milhões. Parte desta área não será replantada com feijão, portanto a estimativa de plantio de 417 mil hectares será reavaliada. Os demais danos serão divulgados no relatório de safra do final deste mês.

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