Trigo norte-americano deve entrar no Brasil em junho
Trigo norte-americano deve
entrar no Brasil em junho
Mariângela Herédia
Agência Estado
Os Estados Unidos poderão retomar as exportações de trigo para o Brasil no mês que vem, informou ontem o secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Ênio Marques, que se encontra em Genebra, na Suíça, e teve um encontro com o secretário de Agricultura dos Estados Unidos, Dan Glickman.
O secretário disse, após o encontro, que o Brasil vai conceder um waver para a entrada do trigo norte-americano no País sem a certificação contra algumas pragas e fungos exigida por portaria do Ministério da Agricultura. Não haverá mais empecilho às compras de trigo dos Estados Unidos, garantiu Marques.
O ministro da Agricultura, Francisco Turra, que integra a delegação brasileira à conferência ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC), também em Genebra, ressaltou a importância econômica do retorno dos Estados Unidos ao mercado brasileiro de trigo, lembrando que os preços atuais da tonelada do produto norte-americano estão US$ 40 mais baixos que o do trigo argentino. Já sinalizamos aos nossos importadores que será permitida a importação de trigo dos Estados Unidos, assegurou o ministro.
Em 1996, o Brasil restringiu a entrada do trigo norte-americano a partir da exigência de certificação contra algumas pragas não existentes no País. A principal delas era a Tiletia controversa kuhn, que, segundo alguns técnicos, poderia destruir a plantação nacional de trigo caso entrasse no Brasil.
No mês passado, o Comitê de Sanidade Vegetal do Cone Sul (Cosave) decidiu que a praga Tiletia controversa kuhn não afeta a produção dos países do comitê em razão da necessidade de temperaturas baixíssimas por longos períodos para a sua proliferação. Brasil e Estados Unidos decidiram então assinar um protocolo retirando a exigência de certificação de que o trigo é livre da tiletia, mas restaram outros quatro fungos e pragas listados na portaria.
Ontem, em reunião com a delegação do Ministério da Agricultura, o secretário Glickman afirmou que, apesar da liberação em relação à tiletia, os negócios entre os dois países não estavam sendo fechados, e quis saber por quê. O ministro Turra explicou que a portaria brasileira fazia outras exigências fitossanitárias.
Ficou acertado que uma missão técnica do Brasil irá no início de junho aos Estados Unidos para resolver o problema e que, e logo depois, as vendas serão liberadas. O secretário Marques lembrou que os Estados Unidos têm pressa, porque em agosto começa a entrar no mercado a safra nacional de trigo, o que deverá prejudicar as negociações.
Em 95, quando foi publicada a portaria 643, que obrigou os Estados Unidos a garantirem a não-existência de seis pragas nas regiões produtoras de trigo, as exportações para o Brasil atingiram 313 mil toneladas. No ano seguinte, o governo brasileiro decidiu conceder um perdão, autorizando as exportações, e até outubro de 96, quando as vendas foram novamente restringidas, os Estados Unidos venderam 803 mil t de trigo.
O conselheiro para Assuntos de Agricultura da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil, Finn Rudd, disse dias atrás à Agência Estado que seu país espera retomar os melhores níveis de exportação de trigo para o Brasil nesta década, superiores a 800 mil t.
O conselheiro disse que seu país tem muito trigo para vender e considera uma boa oportunidade para o Brasil, grande consumidor mundial do produto, ter mais ofertas no mercado internacional.
Reação Até ontem à tarde dirigentes de cooperativas do Paraná e Rio Grande do Sul, não tinham conhecimento das negociações para importação de trigo. Embora necessária, a importação neste momento é uma bomba de efeito retardado que vai prejudicar a comercialização do produto nacional, na opinião dos cooperativistas.





