Trigo importado virá na hora errada
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quinta-feira, 23 de julho de 1998
Eduardo Magossi Agência Estado 
O USDA informou quarta-feira que as exportações de trigo norte-americano para o Brasil deverão ser liberadas antes de setembro. Técnicos norte-americanos estariam terminando de realizar as análises de risco de algumas pragas existentes no trigo norte-americano, análises estas requeridas pelo governo brasileiro. A ausência destas pragas e uma garantia do governo dos EUA de que não é possível sua propagação no Brasil são condições esse nciais para que o governo brasileiro volte a importar o produto dos EUA.
Porém, a liberação aconteceria no momento em que a safra de trigo nacional estaria entrando no mercado, o que deixaria o trigo norte-americano sem nenhuma atratividade, já que sobre ele pesa o imposto de 13% da Tarifa Externa Comum (TEC), cobrado para produtos importados de países exteriores ao Mercosul.
Segundo José Tadeu de Faria, diretor do departamento de Defesa e Inspeção Vegetal do Ministério da Agricultura, o USDA está realizando análises de risco para os fungos hymenula cerealis e urocystis agropiry e para o nematóide anguina trítice. Faria disse que as importações de trigo dos EUA apenas serão liberadas se as análises de risco comprovarem que o trigo dos EUA está livre destas pragas. Segundo ele, não há prazo definido para isto acontecer e que setembro é apenas uma expectativa do USDA.
Suspensas As importações de trigo dos EUA pelo Brasil estão suspensas desde 1996 devido a problemas fitossanitários. Segundo o USDA, a liberação sai já nas próximas semanas. Fin Rudd, representante agrícola da Embaixada dos EUA no Brasil, acredita que os EUA deverão exportar trigo para o Brasil já neste ano. Rudd trabalha com um potencial de venda para o Brasil de 800 mil toneladas de trigo norte-americano.
Participantes do mercado de trigo acham difícil o Brasil importar trigo norte-americano ainda este ano. Jairo Faccio, presidente da J.F. Corretora, disse que uma liberação das importações em setembro deixa o trigo norte-americano sem competitividade diante da entrada da safra brasileira no mesmo período. Ele disse também que este trigo, se comprado em setembro, levaria cerca de 40 dias para chegar ao Brasil e os moinhos não poderiam esperar até lá. Segundo Faccio, o trigo norte-americano poderia entrar no Brasil com certa competitividade apenas na região Norte.
Para alguns dirigentes da indústria moageira, o trigo norte-americano está com seu preço muito elevado para ser competitivo diante do trigo barato da Argentina. O trigo norte-americano chega até os moinhos paulistas cerca de US$ 25 por t mais caro que o argentino.


