Trigo ganha Câmara Técnica no Paraná
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sexta-feira, 22 de junho de 2012
Andréa Bertoldi <br> Equipe da Folha 
Curitiba - Qualidade dos grãos, logística, redução de área plantada e dólar alto são os principais problemas enfrentados pela indústria do trigo do Paraná. Para discutir estes e outros assuntos, ontem foi realizada a primeira reunião da Câmara Técnica Trigo Mais Paraná promovida pela Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) em parceria com o Sindicato da Indústria do Trigo do Paraná (Sinditrigo).
O objetivo da Câmara é o fortalecimento da cadeia produtiva do trigo no Estado. A ideia é realizar reuniões periódicas com representantes de toda a cadeia produtiva para buscar soluções conjuntas e trocar informações.
O diretor de negócios de trigo e panificação do Moinho J Macedo (marca Dona Benta), Irineu Pedrollo, disse que uma das dificuldades das indústrias atualmente é atender o padrão de qualidade que é ditado pelos clientes. ''Nem sempre os grãos de trigo atendem a esta qualidade'', disse. A marca tem três moinhos no Brasil sendo um em Londrina. Hoje, cerca de 60% do trigo comprado pelos moinhos do Paraná vem do próprio Estado, mas a Argentina ainda fornece 15%, o Paraguai 11% e o Rio Grande do Sul 9%.
Segundo ele, o setor também encontra dificuldades em logística, com a saturação dos portos. Pedrollo, disse que em função da diminuição da área plantada e do aumento do dólar, os preços do trigo no Estado devem ficar maiores que na safra anterior. A Argentina também terá uma safra menor. Isso tudo vem ocorrendo porque os produtores preferem plantar milho e soja que são culturas que remuneram melhor.
A colheita do trigo no Estado inicia em agosto e o grão também ficará na dependência do comportamento do clima. Agora, este período excessivo de chuvas atinge a fase de floração do trigo no Paraná.
O diretor do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab), Francisco Simioni, que também participou da reunião ontem, informou que a área plantada de trigo no Estado teve redução de 25% neste ano e é de 792 mil hectares. A produção estimada é de 2,278 milhões de tonelas, 7% menor que no ano passado. A produtividade esperada é de 2.870 kg por hectare. Em janeiro, a média de preço pago ao produtor era de R$ 23 a saca de 60 kg e hoje está em R$ 24,50. Para ele, ainda há espaço para que o preço suba mais.
O Paraná conta com 72 moinhos que realizaram a moagem de 2,65 milhões de toneladas por ano. O maior número de indústrias está concentrado na região Oeste e o maior foco é a produção de farinhas para a linha industrial, 44,66% do total.
O presidente do Sindicato da Indústria do Trigo do Paraná, Marcelo Vosnika, disse que os moinhos também têm dificuldades de espaço para guardar o trigo e recursos para a compra já que o volume maior da safra está concentrado em um período de três meses. Ele acredita que a criação da Câmara do Trigo poderá ajudar todos os representantes da cadeia a levarem as mesmas propostas para o governo federal.
Para o vice-presidente da Associação da Indústria Brasileira de Panificação e diretor do Sindicato da Indústria de Panificação do Paraná, Joaquim Gonçalves, a criação da Câmara é uma reivindicação antiga do setor. Ele defende que o governo federal crie incentivos para desoneração dos encargos que incidem sobre o preço do pão como gastos trabalhistas, o ICMS da energia elétrica e do trigo.
Segundo ele, hoje a mão de obra representa 42% do custo do pão, a energia elétrica 12% e o trigo 27%.
O presidente da Fiep, Edson Campagnolo, acredita que o setor precisa de uma política industrial bem definida. ''A Câmara do Trigo vai criar um ambiente de discussão'', afirmou. Segundo ele, hoje o produtor não é valorizado. Além disso, é necessário um olhar do governo federal para uma política do trigo. Campagnolo destacou ainda que seria preciso haver mais pesquisa em inovação e em novos processos de fabricação no setor.



