É possível que, à última hora, os agricultores resolvam plantar trigo, estimulados: a) pelas condições favoráveis do clima nos últimos dias, b) por um cenário de preços favorável, c) porque o clima acena com menor risco de doenças fúngicas, pois as temperaturas amenas começaram mais cedo este ano.
A frustração quase total da safrinha de milho leva os produtores a voltarem ao trigo, a cultura mais indicada para o período do inverno, ao lado da aveia e centeio.
As condições de mercado levam em conta a dependência do trigo importado da Argentina - mergulhada em crise econômica -, que já criou problema no início de abril ao aumentar a taxa de exportação para o Brasil.
Outro fator favorável, além das chances de bons preços no mercado, é a possibilidade de o governo incentivar o trigo - através de política de seguro, por exemplo - pois o abastecimento se torna vulnerável dependendo dos rumos da crise argentina.
Os dados da Secex mostraram que os gastos médios diários com importações de trigo subiram para US$ 5,1 milhões, com alta de 10% sobre 2001. Em 2002 é esperado um percentual maior.
O Brasil consome 10,5 milhões de toneladas de trigo por ano, e de 6 ,5 milhões de a 7 milhões de toneladas vêm da Argentina. O país vizinho tem prioridade nas importações de trigo pela proximidade com o Brasil, o que barateia o frete, e também porque todo o trigo importado de fora do Mercosul paga Tarifa Externa Comum (TEC) de 11,5%. Mas essas regras não são toda a garantia que a indústria moageira precisa.
No mês passado, a crise argentina fez os preços do trigo nacional dispararem. No Rio Grande do Sul, produtores pedem R$ 320 a tonelada do cereal para pagamento em 30 dias e no Paraná, até R$ 345. Menos de um mês atrás, o trigo estava sendo negociado no Rio Grande do Sul a R$ 300 a tonelada, no máximo, e, no Paraná, a R$ 320.

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