Curitiba - Entidades ligadas ao agronegócio no Paraná se reuniram, ontem, na tentativa de regular os sinistros dos seguros agrícolas por causa dos prejuízos na última safra de trigo. Uma pesquisa realizada pela Embrapa Soja, Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) e Aliança do Brasil mostrou que parte das perdas, ocasionada por doenças na lavoura, ocorreram em razão do excesso de chuvas deste ano.
Segundo Pedro Loyola, coordenador do Departamento Técnico e Econômico do Sistema Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), organizador da reunião, os seguros não têm cobertura para prejuízos decorrentes de doenças. ''A reunião foi muito importante para mostrar que tivemos um período atípico com recorde de chuvas, o que ocasiou as doenças'', explica. Somente no mês de julho, na região de Londrina, choveu 281% mais do que a média histórica para o período. Foi o maior registro de precipitação desde 1976.
Para Loyola, o produtor não se descuidou na prevenção, como dados técnicos comprovaram. ''O produtor não teve nem condições de entrar com a máquina para aplicar o fungicida. A pesquisa mostrou que ele seguiu a risca todas as recomendações, mas as perdas podem chegar a 100%'', explica.
Como resultado da reunião, uma nota técnica produzida pela Embrapa Soja e Iapar será encaminhada ao Banco Central, Ministério da Agricultura e Ministério do Desenvolvimento Agrário. Também será produzido um material de orientação ao produtor sobre como proceder no pedido do sinistro.
Um representante do Proagro (seguro agrícola do governo federal), do Banco Central, informou que o regulamento do programa permite esse tipo de cobertura. No entanto, a comprovação da perda deverá ser avaliada diretamente pelo banco que fará o pagamento. Cerca de 10 mil produtores de trigo paranaenses são segurados pelo Proagro e, até ontem, ao menos 800 já tinham comunicado prejuízos.
Outras seguradoras particulares presentes na reunião devem seguir o procedimento do Proagro, também avaliando caso a caso as condições climáticas que atingiram a propriedade segurada. Loyola relembra que o produtor deve fazer o comunicado do sinistro antes da colheita. ''Ele não pode fazer a colheita antes do perito do seguro avaliar a propriedade e o banco liberar'', explica. As perdas e prejuízos da safra de trigo ainda não foram contabilizadas no Paraná.

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