Trigo argentino perde qualidade
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quarta-feira, 22 de janeiro de 2003
Agência Estado 
Buenos Aires A redução da área semeada e a menor qualidade do trigo que se observa em algumas zonas produtivas prejudicadas pelas condições climáticas na Argentina, representam uma complicação extra para este país competir no exigente mercado internacional.
Nos últimos dois meses, o trigo tem apresentado uma tendência de baixa, apesar da redução projetada na produção mundial deste cereal. Desde o começo do ano passado, quando a cotação chegou no nível mais elevado na Argentina, US$ 150 dólares por tonelada, logo começou uma queda paulatina até o final de dezembro, sendo cotado por menos de US$ 110 dólares, o preço mínimo do ano.
Mas os primeiros dias deste mês, conseguiu melhorar os preços e chegar aos US$ 118,50 para os contratos pactados para maio próximo e a US$ 116 para o disponível. No mercado local sua comercialização também enfrenta outras dificuldades, além da forte influência da oferta chinesa, que afetou os preços do grão na praça mundial, quando o gigante asiático admitiu ter um estoque de reservas superiores aos 60 milhões de toneladas.
Soma-se à esta situação, o forte incremento da produção da Rússia, Kazajstan e Ucrânia que impulsionou um aumento de sua participação na exportação de trigo, na atual temporada, superior a 20% do mercado. A colheita argentina sofreria uma importante queda estimada em 13 milhões de toneladas pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos (USDA) e em 12,5 milhões de toneladas nos cálculos privados, frente aos 15,5 milhões da safra anterior. Segundo os analistas de Granos del Paraná, esta menor produção não afetará o consumo interno, nem as exportações. Porém, seriam somente 7 milhões de toneladas para exportação.
Com a alíquota da TEC (Tarifa Externa Comum) do Mercosul, em 10%, as importações brasileiras do trigo argentino chegariam à quase 5,5 milhões de toneladas, enquanto que outros 1,5 milhão de toneladas seriam exportados para o país limítrofes e outros países , competindo com a oferta européia. A consultoria Granos del Paraná também acredita que a Argentina poderia chegar a exportar para o Irã, um dos países que até o momento não compra trigo argentino, porque este necessitaria importar 2,5 milhões de toneladas em 2003.


