Porto Alegre - O presidente da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), Francisco Samuel Hosken, disse ontem que o trigo argentino pressiona para baixo os preços do cereal no Brasil. ''Os trigos canadense e americano são de qualidade superior, mas custam mais caro'', comparou, durante reunião conjunta das Comissões de Agricultura e do Mercosul ontem na Assembléia gaúcha, que avaliou as dificuldades da cadeia produtiva nesta fase de preparação da próxima safra.
O dirigente fez um relato das medidas recentes adotadas pela Argentina para incentivar os moinhos locais e reiterou as propostas da indústria nacional de estabelecer cotas de importação para a farinha do país vizinho, reduzir a zero a Tarifa Externa Comum (TEC) do trigo - aplicada nas compras fora do Mercosul -, ou obter medidas compensatórias do governo brasileiro para equilibrar as condições de competição. ''Vemos que o comércio exterior argentino é regido pelos interesses do presidente, do consumidor, da indústria e dos produtores'', afirmou.
A Abitrigo terá uma audiência na próxima semana com o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, mas já encaminhou a reivindicação ao secretário-executivo da pasta, Ivan Ramalho.
Na hipótese de fixar cotas, a Organização Mundial do Comércio (OMC) recomenda utilizar como parâmetro as importações dos últimos três anos, disse ele, avaliando que ainda é possível obter a mudança antes da próxima safra. Hosken projetou que o Brasil deve importar 550 mil toneladas de farinha de trigo da Argentina este ano, o equivalente a 740 mil toneladas de trigo. No ano passado, a importação de farinha do país vizinho somou 426 mil toneladas.
O volume de março reforça a previsão de importação para o ano, conforme Hosken. No mês passado, ingressaram 48 mil toneladas de farinha argentina, das 51 mil toneladas adquiridas pelo Brasil. Em outubro do ano passado, o país reduziu para 10% o imposto de exportação da farinha, mesma alíquota da pré-mistura - que em janeiro caiu para 5% nas embalagens de até 1 quilo.
Sem as cotas de importação, o dirigente afirmou que o setor vai insistir em medidas compensatórias. Conforme Hosken, várias indústrias nacionais já estariam estudando a possibilidade de migrar para a Argentina.

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