Tributos sufocam setor privado
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sexta-feira, 24 de março de 2006
Lu Aiko Otta<br>Agência Estado 
Brasília- Nos últimos sete anos, a capacidade de investimento do setor privado foi sufocada pelo crescimento da carga tributária, pelo aumento nos gastos do governo e pelo ajuste nas contas externas do País. É o que mostra levantamento feito pelo economista Fernando Montero, da corretora Convenção. Montero foi secretário-adjunto de Política Econômica no governo Fernando Henrique Cardoso.
Ele calcula que, de 1998 a 2005, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 17,1%. Em outras palavras, o País ficou 17,1% mais rico. Dessa riqueza adicional, pouco menos de metade (7,2 pontos porcentuais) foi absorvida pelo setor público via impostos. Os restantes 9,9 pontos porcentuais de riqueza extra foram enviados ao exterior, na forma de exportações. ''Não sobrou nada para o setor privado'', conclui o economista. ''Ou seja, o maior prejudicado é justamente quem é o principal responsável pelo crescimento econômico.''
O levantamento mostra que, a cada ano, a parcela do PIB absorvida pelo setor público via impostos aumentou. Também as exportações, após a adoção do câmbio flutuante, seguiram uma trajetória de crescimento. Nesse cenário, os investimentos do setor privado foram gradualmente espremidos. ''Imagine um grupo de amigos que toda semana divide uma pizza. A cada semana, é comprada uma pizza um pouco maior. Apesar disso, um deles fica com uma fatia cada vez mais fina. E esse cara é quem paga a pizza. É isso o que está acontecendo com o setor privado'', compara.
As conclusões de Montero não surpreendem o economista e consultor Raul Velloso, que há anos vem pregando a necessidade de contenção do gasto público.''Nos últimos anos, temos observado que o investimento privado e o investimento do governo são os grandes perdedores'', comenta. ''Esse é um processo insustentável.''
Velloso acha que a falta de investimentos criará limites na produção das cm
empresas e na infra-estrutura e isso será um impeditivo para que os juros continuem caindo. ''O Banco Central vai ficar de olho, preocupado com o crescimento da capacidade instalada'', afirma. ''Uma hora isso vai bater num gargalo e pressionar a inflação.''


