Tributos pioram efeitos da crise nas empresas
A crise econômica mundial já afeta o País. Até o governo, que anteriormente achava que a crise não chegaria com tanta intensidade ao país já está trabalhando para reduzir o impacto. O governo precisa mesmo se preocupar. Os indícios são evidentes. As montadoras de veículos estão ''queimando estoques'' a preços muito abaixo do normal. O comércio que costumava admitir um grande número de funcionários temporários contratados para reforçar as vendas no final do ano, não está fazendo isso.
Todos os segmentos produtivos estão sofrendo. Na quinta-feira a Confederação Nacional da Indústria (CNI) informou que a produção da indústria no quarto trimestre de 2008 teve o pior resultado desde que a entidade começou a fazer este tipo de levantamento em 1999. Segundo a CNI, o indicador de produção ficou em 40,8 pontos (em uma escala que vai até 100, em que números abaixo de 50 indicam redução). No terceiro trimestre, o índice estava em 57,8 pontos e, no quarto trimestre de 2008, em 59 pontos.
O ambiente de crise, porém, pode ajudar a abrir os olhos das autoridades econômicas brasileiras para alguns problemas que são varridos para debaixo do tapete em tempos de bonança. E um deles é a questão dos juros bancários. Há poucos dias o Comitê de Política Monetária - Copom reduziu a taxa básica de juros de 13,75% para 12,75% ao ano. Foi um avanço, mas taxa continua sendo uma das maiores do mundo. Ela está longe de ser o ideal. Tanto é que praticamente não houve reflexos nos bancos.
Aliás, os bancos, que no Brasil nunca são incomodados nem quando a situação da economia é dramática, repassaram quase nada para os seus clientes. Segundo o Banco Central, os bancos brasileiros estão captando dinheiro a 12,6% e repassando a 43,2%. É o melhor negócio do mundo. O ''spread'' que é a diferença entre o preço de compra e o de venda atingiu o maior nível em mais de cinco anos.
Segundo o presidente do Sescap-Ldr, José Joaquim Martins Ribeiro, o momento de crise pode ser usado inteligentemente para que a equipe econômica repense algumas situações que ajudam a frear a economia. ''Uma delas é realmente cobrar uma postura mais adequada dos bancos brasileiros. No Brasil não há praticamente linhas de crédito a longo prazo. O que se vê são empréstimos onde os bancos ganham absurdamente e o empresário precisa fazer verdadeiros milagres para pagar as contas e ainda continuar produzindo'', comenta Ribeiro.
O Banco Central divulga que a inadimplência no financiamento de pessoas físicas, em dezembro, foi a maior desde 2002. Atrasos de mais de 90 dias nos pagamentos atingiram 81% dos empréstimos contra 7,8% em novembro.
Segundo o relatório da CNI, o emprego industrial também apresentou queda no quarto trimestre. O índice ficou em 44 pontos, contra 54,4 pontos no terceiro trimestre de 2008. Na comparação com o último trimestre de 2007, o índice caiu 10,9 pontos. A redução dos empregos foi maior nas grandes empresas (42,6 pontos), seguida por médias (43,8 pontos) e pequenas (46 pontos).
''É o momento de o governo realmente tomar medidas sérias para amenizar a crise. Os empresários esperam que o governo reflita sobre a carga tributária que pesa sobre seus ombros. No ano passado, para alguns segmentos, ela chegou a quase 40%. Em um ano em que a economia teve um crescimento razoável a conta já foi muito difícil de pagar. Em 2009, com todas as previsões de que a economia irá se retrair, em que o crescimento econômico, se houver, não passará de 3% do Produto Interno Bruto (PIB), se não for tomadas providências urgentes, haverá uma quebradeira muito grande'', diz Ribeiro.
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