Gastar no Dia dos Namorados também significa pagar tributos, e muitos. Levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro do Planejamento Tributário (IBPT) aponta os tributos em cima dos presentes mais procurados para a data e reforça que agradar o parceiro pode beneficiar muito os cofres públicos. As 'mordidas' nos regalos são diversas. O relógio encabeça a lista, pois tem no seu valor total 53,14% em impostos. Na sequência, vem as jóias (50,44%), aparelhos de mp3 (49.45%), câmara fotográfica (44,75%) e óculos de sol (44,18%). A data dos apaixonados é celebrada na próxima terça-feira e a Associação Comercial do Paraná (ACP) prevê um crescimento de 7% nas vendas em relação ao ano passado.
A reportagem da FOLHA saiu ontem pelo Calçadão de Londrina e apresentou a lista do IBPT para alguns casais de namorados e comerciantes. Do lado do consumidor, a reação foi de descrédito e inconformismo com os altos tributos, enquanto os comerciantes avaliam que a alta carga tributária pode sim atrapalhar as vendas.
A gerente da Le Postiche, Amanda Torres, comentou que os altos impostos em cima da bolsa de couro (41,52%) podem influenciar na escolha do cliente. Ela explicou que as pessoas gastam em torno de R$ 150 na compra de um presente para a data e, neste valor, é improvável que alguem consiga comprar o acessório. ''Uma bolsa de couro custa em torno de R$ 300. Neste frio, eu acredito que o cliente pode acabar optando por outro presente, como roupas. Hoje, até lojas de departamento são nossas concorrentes'', avaliou ela, que espera um crescimento de 10% nas vendas da data em relação ao ano passado.
O supervisor da relojoaria e joalheria Sueko, Paulo Dama, reforçou que alta tributação sobre os produtos do estabelecimento faz com que a concorrência com outros segmentos fique mais forte no Dia dos Namorados. ''Se a tributação ficasse em torno de 30% teríamos mais força no mercado. Mas considero este percentual bastante utópico de ser alcançado'', comentou.
O analista de sistemas Rodrigo Bondezan e sua namorada Fernanda Martins ficaram impressionados com a levantamento do IBPT. Rodrigo, que já presenteou a companheira com um relógio, custou a acreditar no imposto que ultrapassa 50% em cima do produto. ''A gente fica até com raiva de ver isso. É um absurdo que acaba com o comércio'', decretou.
Já o auxiliar de mecânica Renan Ferreira Neves, que ainda não escolheu o presente para sua namorada, também concordou que os impostos são altos, mas não acha que isto influencia na decisão final do consumidor. ''Hoje em dia é muito fácil comprar. As lojas parcelam e ninguem se importa com o valor dos impostos'', completou.

Imagem ilustrativa da imagem Tributos 'mordem' presentes do dia dos Namorados
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