Efetuar compras por meio de cartões de débito e crédito pode impactar diretamente na economia de um país. Uma análise realizada pela Tendências Consultoria Integrada aponta que a cada 10% de incremento da participação do ''dinheiro de plástico'' no consumo doméstico, o Brasil somaria por volta de R$ 1,7 bilhão a mais em tributos com ICMS do setor terciário e PIS/Cofins. Ainda de acordo com o levantamento, os cartões também têm uma influência positiva no faturamento da atividade comercial. O mesmo aumento de 10% na participação deles no comércio impactaria no valor total das vendas em 2,8%.
Atualmente, pouco mais de 27% do valor total de bens e serviços comercializados no País é pago com cartões. Em 2004, o número girava em torno de 16,5%, o que significa uma expansão de 64% neste período. Numa estimativa de atingir 35% das vendas do comércio nos próximos anos, o estudo aponta que a arrecadação de ICMS e PIS/Confins aumentaria quase 14%, o que representa um impulso de R$ 5,2 bilhões para o governo do País.
A análise vem ao encontro de outro estudo realizado recentemente pela Moody's Economy.com, encomendado por uma grande companhia de cartões com atuação mundial. O levantamento mostra que a migração para meios eletrônicos de pagamento - crédito e débito - contribuiu com US$ 1,1 trilhão para a economia mundial entre 2003 e 2008. O valor representa, em média, 0,5% de aumento no Produto Interno Bruto (PIB) mundial. Só o Brasil foi responsável por US$ 65 bilhões deste montante, ficando atrás apenas dos Estados Unidos (US$ 270 bilhões), China (US$ 158 bilhões), Reino Unido (US$ 81 bilhões) e superando economias como as da França (US$ 36 bilhões), Japão (US$ 47 bilhões) e Austrália (US$ 52 bilhões).
Para o presidente do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), João Eloi Olenike, dois pontos precisam ser avaliados neste estudo. O lado positivo que pode realmente influenciar na maior arrecadação é a questão da formalização obrigatória das empresas. Isso porque nenhuma operadora de cartão atua com empresas que estão na informalidade. ''Como o empresário necessita utilizar o sistema de cartão para não perder vendas, ele precisa se formalizar. Com isso, o governo acaba arrecadando mais tributos.''
Por outro lado, Olenike salienta que as empresas precisam lidar com os custos e comissões das operadoras e que, fatalmente, tais percentuais serão repassados ao consumidor. ''Os custos das administradoras podem chegar a 10%. Com os preços dos produtos mais altos, isso acaba inibindo o consumo, o que não ocorre se o pagamento for feito em dinheiro.'' Com os dois pontos colocados na balança, o presidente do IBPT acredita que a arrecadação devido à formalização é superior aos custos operacionais dos empresários. ''A utilização do cartão gera um impacto maior neste primeiro aspecto'', complementa.

Imagem ilustrativa da imagem Tributos gerados por cartões impulsionam economia
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