São Paulo - Quase a metade da indústria de transformação considera hoje a elevada carga tributária como o principal obstáculo ao investimento, enquanto o juro, apontado durante um longo período como vilão, perdeu relevância nesse rol de preocupações.
Das 1.075 empresas consultadas pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) para a Sondagem da Indústria de Transformação no mês passado, 49% apontaram a elevada carga tributária com o principal fator limitante ao investimento. Em 2006, lembra o coordenador da pesquisa, Aloísio Campelo, esse obstáculo havia sido apontado por 45% das empresas e a tendência era de queda ante 2005 (46%). Em quatro anos, de 2004 a 2007, é o maior resultado da série. Nesse período, o acréscimo foi de dez pontos porcentuais.
''O resultado mostra que as indústrias poderiam investir muito mais, se não fosse a elevada carga tributária'', diz Campelo. Já os juros foram apontados por 18% das empresas como um fator restritivo. Esse índice está dois pontos porcentuais abaixo do ano passado. Também é o menor da série histórica para esse quesito desde 1998.
A sondagem revela uma forte intenção de investimento neste e no próximo semestre. De acordo com a pesquisa, 34% das companhias declararam que estão investindo mais neste semestre em relação ao segundo semestre de 2006. Também 34% delas pretendem ampliar os investimentos no segundo semestre deste ano na comparação com o atual.
O destaque na ampliação dos investimentos para o próximo semestre é para os bens intermediários (38%) e os bens de capital (37%). Campelo observa que são exatamente esses dois setores que ampliaram o uso da capacidade instalada nos últimos 12 meses e que os investimentos são para evitar gargalos. Em abril do ano passado, a indústria de bens intermediários usava 86,5% da sua capacidade instalada, índice que, neste ano, subiu para 88,5%. Nos bens de capital, o índice que era de 81,7% atingiu 85% neste ano, nas mesmas bases de comparação, segundo a FGV.
O fato de a maior disposição para investir se concentrar nos bens de capital e intermediários é um indicador antecedente muito positivo, diz Campelo. Esse movimento sinaliza crescimento mais duradouro. Ele pondera que, ao contrário do último ciclo de crescimento, de 2004, hoje não há uniformidade entre os segmentos. Existe o enfraquecimento daqueles ligados à exportação e o fortalecimento dos segmentos cujas vendas estão concentradas no mercado doméstico. A pesquisa mostra também que 47% das empresas investem para ampliar a capacidade, a terceira maior marca da série desde 1998. Só 6% delas não têm programas de investimentos.

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