Maringá - ''O Brasil tem um déficit habitacional de 7 a 8 milhões de moradias, mas não é possível assentar a todos 'tijolo por tijolo'', afirmou Sarkis Nabi Curi, representante da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), durante o Encontro Nacional para Inovação na Construção Civil (Eninc), encerrado ontem em Maringá (Região Noroeste). Segundo Curi, um dos maiores desafios para modificar este modelo ''artesanal'' de construir no País é ter uma tributação mais compatível com a realidade.
''O produto industrializado substitui o modelo artesanal. Mas hoje, o que não é feito dentro da obra é tributado. A carga tributária excessiva também leva a tercerização dos serviços e sabemos que a informalidade é contrária à inovação'', disse o especialista. No entanto, o custo dos impostos não é o único desafio. O ''Projeto CBIC de Inovação Tecnológica'', resultado de dois anos de estudos, demonstra que há muito a ser feito no setor. No total, foram traçados dez frentes de atuação, que vão desde a aproximação com as universidades, capacitação profissional, revisão dos códigos de obras e padronização dos materiais.
O diretor da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Clayton Campanhola, que apresentou um trabalho sobre as projeções da construção civil para os próximos 15 anos, também considerou que ''adequar o modelo tributário'' é uma das grandes necessidades para a inovação do setor. Campanhola explicou que o ''Estudo Prospectivo da Construção Civil'', feito pela ABDI com a participação de entidades públicas e privadas traz como foco estratégico a construção habitacional industrializada.
O motivo, de acordo com o diretor da ABDI, é que o Brasil se destaca em grandes projetos de infraestrutura pesada, como portos e hidroelétricas, mas precisa evoluir muito no modelo de construção residencial. ''O nosso foco tecnológico é a construção de condomínios de edifícios de cinco ou mais pavimentos e com elevador. Com a inovação tecnológica voltada para este segmento, ela vai transbordar naturalmente para outros setores'', considerou.
Na avaliação do gerente regional da Caixa, Hélio Mantovani, o momento é promissor. ''Em breve teremos a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016 e, principalmente o projeto Minha Casa Minha Vida, que tem como meta construir até o próximo ano 1 milhão de casas para famílias que ganham até 10 salários mínimos'', disse. Até agora, segundo a Caixa, existem 103 mil unidades habitacionais contratadas e outras 415 mil em fase de análise de projeto.
Segundo relatório da Cadeia Produtiva da Construção do Sebrae/PR, o setor da construção civil representa hoje 9,18% de todo o Produto Interno Bruto (PIB) paranaense. O Estado tem aproximadamente 16 mil empresas ligadas diretamente ao setor da construção e 90% do total são micros e pequenas empresas. ''A justificativa para se fazer um evento focado na inovação, como o Eninc, é óbvia. Não há outro caminho para o desenvolvimento, senão por meio da inovação'', afirmou o diretor-superintendente do Sebrae/PR, Allan Marcelo de Campos Costa.
O presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae/PR, Jefferson Nogaroli, desafiou os empresários. ''Para inovar, não é preciso ser genial. Coisas simples podem fazer a diferença. O Brasil vai crescer nos próximos anos e a classe empresarial brasileira precisa estar preparada para não perder as oportunidades''.

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