Brasília - A mudança na alíquota da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) levou a um aumento da carga tributária em 52% das empresas brasileiras, segundo levantamento realizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). No caso das grandes empresas, esse percentual chega a 69%.
A pesquisa foi realizada com 1.297 empresas - 1.097 pequenas e 200 grandes, que informaram à CNI se houve aumento no valor pago em relação à Cofins. Apenas 19% tiveram uma redução no valor do imposto e 29% continuam recolhendo o mesmo valor.
Além disso, 77% disseram que as mudanças não cumpriram o seu principal objetivo, que era trazer uma melhor distribuição da carga tributária. Para quase 70% dos empresários, o sistema de recolhimento do imposto se tornou ainda mais complexo. Metade reclamou de uma piora no relacionamento com os clientes e fornecedores por causa das mudanças nas regras.
A alíquota foi elevada de 3% para 7,6% em fevereiro passado, quando a cobrança deixou de ser cumulativa, ou seja, sobre todas as etapas da cadeia produtiva. Além disso, o imposto passou a ser cobrado sobre produtos importados.
A Cofins é um tributo que incide sobre o faturamento mensal das empresas. A sua arrecadação é destinada às áreas de saúde, assistência e previdência social.
Os setores mais afetados negativamente pela mudança, segundo a CNI, são a a Indústria Mecânica (68% registraram aumento da carga), Bebidas (68%) e Material de Transporte (62%). Os setores que tiveram menos empresas com aumento no valor de recolhimento da Cofins foram Mobiliário (25%), Couros e Peles (30%), Madeira (32%) e Borracha (38%).
Segundo a confederação, o número de empresários que está pagando menos impostos ficou abaixo de 50% em todos os setores. Além de criticar o aumento na alíquota para compensar o fim da cumulatividade, a maioria dos empresários afirmou que a taxação das importações foi ''o pior lado'' das mudanças propostas pelo governo. Segundo a pesquisa, 50% é contra a cobrança do imposto sobre importados e apenas 16% se manifestou a favor.
O objetivo da medida era dar ''isonomia tributária'' em relação aos produtos produzidos no Brasil. Mas os resultados, segundo os empresários, foram o aumento dos custos das matérias-primas importadas, da burocracia de importações e do custo dos investimentos. Menos de 10% disseram que o objetivo do governo foi alcançado.
Os benefícios com as medidas só foram apontados em duas situações. Entre as pequenas e médias empresas, pouco mais da metade disse ter havido uma melhor distribuição da carga. Dentre as grandes empresas, 57% afirmou ter havido desoneração nas exportações - 78% dessas empresas são exportadoras.

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