TRF4 determina redução das tarifas de pedágio da Viapar e Caminhos do Paraná
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 22 de abril de 2019
Guilherme Marconi - Grupo Folha 

O TRF4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região) determinou a redução das tarifas cobradas nas praças de pedágio pelas concessionárias Caminhos do Paraná em 25,77% e da Viapar em 19,02%. Segundo o MPF (Ministério Público Federal), os percentuais correspondem ao somatório de degraus tarifários obtidos em aditivos recentes foram obtidos mediante pagamento de propina a agentes públicos. Ainda cabe recurso da decisão.
A sentença em segunda instância é mais um dos resultados da Operação Integração, desdobramento da Lava Jato, com ações que tramitam na Justiça Federal do Paraná. A Força-tarefa apura um vultuoso esquema de corrupção com outros crimes como lavagem de dinheiro, sonegação fiscal, estelionato e peculato na administração das rodovias que integram o Anel de Integração do Paraná.
Segundo a denúncia, as irregularidades tiveram inicio em 1999 com pagamento de propinas para agentes públicos e membros do governo. O valor do dano causado pelas concessionárias seria de R$ 7 bilhões.
Segundo a decisão do TRF4, além do vício na concessão do aditivo, restou também evidenciado que os compromissos contratuais assumidos pelas concessionárias não foram plenamente realizados, sendo comuns a postergação e a supressão de obras inicialmente usadas como justificativas para o aumento das tarifas.
No ponto, o tribunal enfatizou que, como as concessionárias “vêm se locupletando com benefícios indevidos às custas da coletividade desde o início da concessão, a redução tarifária pelo curto período faltante representa um mínimo a ser por elas suportado”.
As decisões proferidas na semana passada atendem a agravos de instrumento que foram interpostos ao Tribunal pelo MPF após o Juiz federal de origem negar liminar sobre a redução das tarifas e a inibição de novos aditivos nos contratos.
O TRF4 também proibiu a celebração de novos aditivos que beneficiem as concessionárias, no intuito de obstar novos ajustes que suprimam obrigações já pactuadas (dentre elas a realização de obras) ou a prorrogação de prazo dos contratos.
A redução nas tarifas deve ocorrer a partir da data em que as concessionárias foram intimadas. Segundo a assessoria de imprensa da Viapar, "a concessionária não foi ainda intimada pela Justiça e só depois deve se manifestar”. A FOLHA não conseguiu contato com a diretoria da Caminhos do Paraná.
Histórico
Em fevereiro deste ano, o ex-governador Beto Richa (PSDB) e outras nove pessoas se tornaram rés pelos crimes de corrupção e organização criminosa. Neste processo estão agentes públicos e políticos, entre eles o irmão dele Pepe Ri cha, ex-secretário de Infraestrutura e Logística e o ex-diretor do DER (Departamento de Estradas e Rodagens), Nelson Leal Junior.
Em outra ação outros 23 reús são da alta cúpula das concesseonárias e respondem pelos mesmos crimes. Nesta operação, Richa chegou a ser preso em janeiro acusado de ser beneficiário de pelo menos R$ 2,7 milhões em propina. Entretanto, foi solto uma semana depois por decisão do STJ (Superior Tribunal de Justiça). As defesas negam as acusações.
Já em março, a concessionária Rodonorte foi a primeira admitir participação no esquema de propina e firmou acordo de leniência com o compromisso de devolver R$ 750 milhões , sendo que R$ 350 milhões serão destinados para arcar com redução em 30%, mas este acordo ainda precisa ser homologado pela Justiça.
As irregularidades na administração da concessão começaram a ser apontadas em 2013 pelo MPF. Na época, foram identificados 13 atos secretos que beneficiaram as concessionárias, além de diversas doações eleitorais suspeitas.
A investigação comprovou que tais atos eram editados como contraprestação por propinas pagas sistematicamente pelas concessionárias.


