Três consórcios disputam hoje Malha Sul da RFFSA
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sexta-feira, 13 de dezembro de 1996
Maria Teresa Martins - Com Agência Estado <br> Sucursal de Curitiba 
Três consórcios devem disputar hoje o leilão da Malha Sul, a penúltima da Rede Ferroviária Federal (RFFSA) a ser transferida para a iniciativa privada. O leilão está marcado para as 14 horas, na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro, e deve ser um dos mais disputados entre os quatro leilões ferroviários já realizados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Dois consórcios são conhecidos: o formado pela Montagem e Projetos Especiais (MPE) e pelo Banco Bozano Simonsen e o liderado pelo Banco Garantia e pela empresa norte-americana RailTex. O terceiro grupo ainda está envolto em mistério. Ele seria integrado pelas empreiteiras C. R. Almeida e Cruz Branca e pela MRS Logística (que participa da administração da Malha Oeste). A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), que faria parte desse grupo, informou ontem à noite que está fora do leilão.
A Malha Sul reúne os trilhos da Rede nos três Estados do Sul (PR, SC e RS), tem conexões com os países do Mercosul e é um dos maiores corredores de exportações agrícolas do País. Hoje, o principal fluxo grãos e farelos ocorre no corredor Apucarana-Paranaguá, no Paraná. Com 6.586 quilômetros de extensão (dos quais 1,9 mil quilômetros no Paraná), a Malha Sul vai à leilão por um lance mínimo de R$ 158 milhões. Por causa da disputa, a estimativa é que o ágio sobre o preço mínimo possa chegar a 40%.
Por ela passam as regiões agrícolas do Norte do Paraná e do oeste gaúcho em direção aos portos de Paranaguá e Rio Grande, respectivamente. Atende ainda uma rota de grande potencial, ao ligar a região metropolitana de São Paulo, através da Fepasa aos Estados do Sul e parceiros do Mercosul. Outra ligação importante é com a Ferroeste, que liga Cascavel a Guarapuava, chegando aos trilhos da Malha Sul em direção à Paranaguá.
Com interesse na Malha Sul, a MPE liderou o grupo que venceu o leilão para a operação da Ferroeste esta semana. Para o leilão de hoje, estão associados à MPE e ao Banco Bozano Simonsen as empresas Camargo Corrêa, Banco do Brasil, Libra-Boreal (banco de investimentos e empresa de navegação), Mitsui e Grupo Darby.
O Banco Garantia e a RailTex lideram outras três empresas: Judore (fundo de investimentos), Raph Partness e Interférrea (sua participação era dúvida até a noite de ontem.
A receita obtida pela Malha Sul, a segunda mais rentável da RFFSA, chegou a R$ 204,6 milhões em 1995, com o transporte de 13,8 milhões de toneladas de carga. A Malha Sul dispõe de 9,7 mil vagões e 337 locomotivas, das quais 61 demandam grandes reparos. Dos principais produtos transportados no ano passado pela Malha Sul destacam-se, além de grãos e farelos, com receita de R$ 60 milhões, os derivados de petróleo, com uma receita de R$ 50,2 milhões, o álcool, com R$ 28,4 milhões, e o arroz, com R$ 7,091 milhões. A ferrovia transporta ainda adubos, fertilizantes, cimento, calcário, contêineres e carga geral.
Os principais clientes da Malha Sul são: Petrobrás Distribuidora, Petróleo Ipiranga, Shell do Brasil, Esso Brasileira de Petróleo, Texaco do Brasil, Grupo Votorantin, Cia. Portland Gaúcha, Ceval Alimentos e Sadia.
A malha tem 9,6 mil funcionários, dos quais 3,9 mil instalados no Paraná e Santa Catarina. Para preparar a ferrovia para privatização, o BNDES promoveu o desligamento de 300 funcionários.


