''A primeira viagem do trem Pé-Vermelho será em 2013'', afirma o presidente da Ferroeste Samuel Gomes. Apesar de não haver um projeto definindo a quantidade necessária de trens, ou custos para implantação o presidente garante que a instalação do trem é um processo irreversível baseado em dados objetivos e fundamentado em pesquisas e principalmente na vontade de todos. ''O Trem Pé-Vermelho é um projeto que será implantado porque é absolutamente necessário e o adiamento dos investimentos representará um custo econômico-social muito maior.''
Um estudo inicial sobre a viabilidade do trem Pé-Vermelho no eixo Londrina-Maringá, que ligará Ibiporã, na região Norte, e Paiçandu, no Noroeste, será realizado a partir de janeiro de 2010. O Ministério dos Transportes liberou R$ 400 mil, informou Gomes que é também coordenador do grupo de estudos para o retorno do trem de passageiros formado por prefeituras e universidades da região. Outros R$ 400 mil serão destinados para o projeto de trem regional entre Caxias do Sul e Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul.
Segundo Gomes, a Universidade Federal de Santa Catarina, por meio do Laboratório de Transporte (Labtrans), irá coordenar os estudos por ser referência no Brasil na área de transportes, também participarão as Universidades Estaduais de Londrina e Maringá e a de Caxias do Sul (RS), a Trensurb (empresa federal de trens urbanos) e o Lactec. Ele ressalta que as verbas só serão suficientes por causa do trabalho conjunto.
A partir de janeiro, de acordo como presidente da Ferroeste, serão ouvidas entre 30 e 40 mil pessoas do eixo Londrina-Maringá para identificar as necessidades de deslocamento e as linhas de desejo dos passageiros. O estudo também irá atualizar o perfil socioeconômico da região. ''A pesquisa irá mostrar quem vai usar e para que, a origem e o destino.'' As entrevistas serão feitas nos domicílios, dentro dos ônibus, nos terminais urbanos e rodoviários e também nas estradas. ''Assim poderemos determinar quantos trens por dia, horários, trechos de maior demanda'', explica Gomes.
Ele diz que o trem funcionará como um metrô de superfície, com alguns trechos sendo mais utilizados que outros. ''Acreditamos, por exemplo, que a demanda será maior entre Ibiporã e Londrina, ou Paiçandu e Maringá. A viagem do trecho completo pode ter menos horários.'' Segundo Gomes, algumas questões já foram respondidas durante estudos preliminares e devem ser confirmadas agora. Uma delas é sobre a possibilidade de o trem de passageiros funcionar na linha já existente. ''É praticamente certo que terá que ser construída uma linha exclusiva, porque é preciso haver uma regularidade nos horários e não dá para ser exato com trens de carga. Além disso a ALL tem apenas duas janelas de horários o que inviabiliza o uso da mesma linha.''
Gomes explica que o custo para a construção de uma linha exclusiva para transporte de passageiros é menor do que para cargas porque os trens são mais leves. O estudo também vai apontar os custos, qual deverá ser a participação dos governos estadual e federal no projeto, qual o valor da tarifa para ser atraente para o consumidor e manter o funcionamento do sistema. ''Hoje no mundo inteiro se tem certeza de que transporte por trens é uma boa alternativa, mesmo que o sistema não se pague sozinho. O prejuízo ambiental, o tempo que se perde no trânsito, os riscos e os custos com acidentes de trânsito são muito maiores. As vantagens do trem superam e muito os custos de manutenção desse tipo de transporte.'' Segundo Gomes, a implantação do trem de passageiros na região é um processo que não tem mais volta. ''O Paraná não vai abandonar essa ideia, em 2013 iremos fazer a primeira viagem do trem Pé-Vermelho.''

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