Trem não consegue avançar no transporte para o Porto
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quarta-feira, 01 de maio de 2002
Maigue Gueths<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - Dados da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (APPA) sobre o movimento anual de mercadorias para o Porto de Paranaguá revelam que a privatização da malha sul da Rede Ferroviária Federal S.A. (RFFSA) não conseguiu aumentar a participação dos trens no escoamento de produtos para o porto. Ao contrário.
Em 1991, 49% da exportação foram transportados por caminhões, 40% por vagões e 11% por oleoduto. No último ano de administração da Rede, em 1996, a participação dos caminhões tinha aumentado para 64% contra 26% dos vagões e 9% por oleoduto. No ano passado cinco anos depois da privatização os caminhões continuam transportando cerca de dois terços (66%) dos produtos, enquanto os vagões carregaram apenas 29%.
A América Latina Logística (ALL-Delara) empresa que adquiriu a malha sul da RFFSA contesta estes números. Segundo Ana Cláudia Tourinho, coordenadora de marketing da área de relacionamento com o mercado, em 2001, a ferrovia foi responsável pelo transporte de 44% da safra de grãos (soja, milho e farelo de soja) para o porto. E a meta, para este ano, é chegar a 50%.
Os números também não batem se comparados com os dados da Federação dos Transportes no Paraná (Fetranspar). Segundo o diretor-executivo Sergio Malucelli, no Paraná o transporte rodoviário corresponde a 70% do transporte. Em época de safra, este percentual reduz para 62%, em função do incremento do transporte por trens, que chega a 18%.
O problema, segundo técnicos da RFFSA, que preferem não se identificar, é que o movimento do porto vem aumentando ano a ano e a ALL não investiu o suficiente para aumentar a sua capacidade de transportes para o porto. Ela poderia aumentar em pelo menos mais 20% o número de trens para Paranaguá desde que adquirisse mais locomotivas, afirmam.
Segundo eles, desde a privatização, a ALL apenas consertou vagões e locomotivas da Rede que estavam sucateados, adquiriu locomotivas usadas da África, e agregou vagões de empresas com quem trabalha, mas não adquiriu novos equipamentos.
Apesar da safra deste ano ser 8% maior do que no ano passado, a expectativa é de que não ocorram filas de caminhões nem de trens no porto. Primeiro, porque o transporte rodoviário está sendo controlado por um sistema chamado de safra-on-line, ou seja, um sistema de informática encarregado de agendar dia e horário que cada caminhão fará o descarregamento no porto.
Já a ALL, passou a operar como operadora portuária em Paranaguá, o que permitirá que ela controle a chegada de trens conforme a disponibilidade dos navios. Ela espera ter mais velocidade no giro de vagões, possibilitando um aumento de 30% a 40% de sua participação no mercado de exportação de Paranaguá. A empresa também construiu um novo armazém em Maringá, que irá estocar mercadorias enquanto aguardam a demanda dos navios no porto.


