Treinamento de mão-de-obra na Audi causa polêmica
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segunda-feira, 26 de abril de 2004
Andréa Bordinhão<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba anunciou ontem que não vai mais assinar o acordo com a Audi/Volkswagen, que tinha como intenção qualificar 400 trabalhadores que não têm o ensino médio para trabalhar na linha de montagem. O sindicato alega que a empresa, que já está há cerca de três meses qualificando 60 profissionais por meio do programa, colocou esses trabalhadores na linha de montagem recebendo uma bolsa-auxílio de R$ 150 (que subiria para R$ 530 com a assinatura). De acordo com o sindicato, o convênio previa que essas pessoas receberiam treinamento, mas não substituiriam a mão-de-obra que falta na fábrica, o que não está acontecendo. A assinatura do acordo deveria acontecer hoje.
''Esses trabalhadores não poderiam ser usados na produção. Por isso estamos cancelando o contrato e solicitando a imediata contratação dessas 60 pessoas pelo piso (R$ 930)'', anunciou o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Sérgio Butka. O coordenador da comissão de fábrica da Audi/Volks, Jamil Davila, confirma. ''Falta gente na linha de montagem e daí eles são usados. Eles próprios já estão reclamando'', afirmou. Segundo Davila, a empresa está trabalhando com uma média de 6% de trabalhadores a menos do que os 1,6 mil necessários na linha de montagem.
A Audi/Volks informou, por meio de sua assessoria, que ''está perplexa com o recuo do sindicato, já que estava tudo acordado em mesas de negociações que vinham acontecendo há várias semanas''. A montadora alega que os trabalhadores estão apenas recebendo treinamento supervisionado e exercendo atividades paralelas e auxiliares. A Audi/Volks informou que pretende produzir mais de 100 mil automóveis esse ano e para isso vai precisar contratar funcionários no próximo semestre.


