São Paulo - O dólar comercial prosseguiu sua escalada e fechou com firme alta de 4,30%, cotado a R$ 3,15 - mais uma vez acima do dólar futuro setembro, que encerrou o viva-voz em R$ 3,14. A aposta de que a moeda americana tende subir mais atraiu tesourarias de bancos e empresas à compra no mercado à vista. A Bovespa teve queda de 2,62% e o risco-país subiu 10,8%, colocando o Brasil em terceiro lugar no ranking de mercado pouco seguro no mundo
O risco-país brasileiro fechou a 2.221 pontos, superando o Uruguai e tornando-se o terceiro no ranking de maiores risco-país do mundo, apesar da garantia de um pacote de US$ 30 bilhões do Fundo Monetário Internacional (FMI). O país está agora atrás apenas da combalida Argentina (6.938 pontos) e da Nigéria (2.727 pontos). O Uruguai, que também passa por uma grave crise e espera um pacote do FMI, tem 2.137 pontos, e o Equador, quinto do ranking, está com 1.814 pontos.
No fim do mês passado, o Brasil chegara a 2.390 pontos, registrando seu recorde histórico. Entretanto, desde então, o risco do país havia recuado ante a expectativa do pacote do Fundo. No dia seguinte ao anúncio, quinta-feira, o risco chegou a 1.759 pontos e caiu para a quinta posição do ranking. O principal título brasileiro comercializado no exterior, o C-Bond, perdeu 5,4% e fechou cotado a 52,5% de seu valor de face.
A insatisfação com os resultados das últimas pesquisas Ibope e Vox Populi, a falta de perspectiva de ingresso de recursos no mercado e a concentração de vencimentos no fim do mês de dívida externa de empresas sustentaram e tendem a continuar alimentando a demanda por dólar, avaliaram corretores.
Um experiente profissional observou ainda que houve uma pitada de especulação na compra de moeda pelas tesourarias de bancos, que estariam pressionando o Banco Central a mostrar suas armas. Como o mercado continua seco de moeda, o crédito ao exportador ainda não se normalizou e a oferta de dólares pelo BC foi pequena, apesar do aumento da munição depois do acordo de US$ 30 bilhões com o FMI, as cotações do ''pronto'' dispararam, disseram operadores. Eles estimaram que o BC pode ter vendido cerca de US$ 50 milhões.
A expectativa nas mesas de operação é que as próximas pesquisas (Ibope hoje e Sensus amanhã) podem continuar alimentando a volatilidade e alta do dólar. O avanço do candidato da Frente Trabalhista, Ciro Gomes, e a queda contínua do candidato do PSDB/PMDB, José Serra, nas últimas pesquisas eleitorais desagradam o mercado. A percepção de que a eleição poderá se polarizar entre Luiz Inácio Lula da Silva e Ciro Gomes já no primeiro turno, além da possibilidade de vitória de Ciro no segundo turno, amedronta os investidores.
A precificação de um segundo turno entre Lula e Ciro se consolidou no mercado acionário ontem. Com queda de 2,62%, O Ibovespa fechou com giro financeiro de apenas R$ 406 milhões, indicando pouca disposição dos investidores de assumir riscos.
Juros - Os contratos de DI com vencimento em janeiro de 2003, que são os mais negociados, chegaram a projetar taxa de juros de 24,20% ontem de manhã, superando a projeção de 23,85% do fechamento de quarta-feira passada, um dia antes da assinatura do acordo com o Fundo. No encerramento dos negócios ontem, o DI janeiro recuou da máxima do dia, ficando em 23,74%.

mockup