Transportes puxam setor de serviços para baixo
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 15 de janeiro de 2016
Fábio Galiotto<br>Reportagem Local 
O volume de serviços de transporte e dos prestados às famílias puxou para baixo o indicador geral do setor em novembro, que fechou com queda de 6,3% no País e de 6,1% no Paraná em relação ao mesmo mês de 2014, segundo a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A corrosão da renda do trabalhador, que diminuiu o consumo, e a retração da atividade econômica, que impacta sobre a demanda de viagens e de carregamento de cargas, são os principais motivos para o resultado.
No segmento Transportes, Serviços Auxiliares dos Transportes e Correio, as baixas foram de 8,2% no País e de 6,8% no Paraná. O Estado apresenta números um pouco menores devido à maior concentração de cargas relacionadas ao agronegócio do que em outros setores do País, que sofreram com a despencada da produção industrial. Somente no transporte terrestre nacional, a queda no mês ante o mesmo período de 2014 foi de 13,8%. O IBGE não divulgou subdivisões de segmentos estaduais.
Quanto ao segmento Serviços Prestados às Famílias, os resultados de novembro ficaram negativos em 6,6% no Brasil e em 8,2% no Paraná. "O fator preço também influencia. Apesar de a renda do trabalhador estar apresentando redução gradativa, os preços continuam resistindo. Mesmo com a queda na renda, os preços não estão baixando", afirma o gerente da Coordenação de Serviços e Comércio do IBGE, Roberto Saldanha.
Outro indicador que mostra a queda da demanda familiar é o Índice de Atividades Turísticas (Iatur), que reúne serviços desde passagens, hotéis e aluguel de veículos. Houve redução de 1,9% em novembro sobre o mesmo mês de 2014. "Quando o dólar aumenta, isso inibe o turismo. O próprio turismo interno é afetado, pois a passagem aérea recebe influência do dólar, porque o combustível é cotado na moeda americana", explica Saldanha.
De acordo com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), há também o problema de a inflação no setor continuar elevada, principalmente nos serviços administrativos e nos transportes. "O setor acumula desde janeiro deste ano queda de 3,4% e deverá, inevitavelmente, registrar sua primeira retração anual no volume de receitas ao final de 2015", destaca a economista da entidade Izis Ferreira, em nota.
No acumulado do ano até novembro, a retração dos serviços foi ampliada para 3,4% no Brasil e para 4,4% no Paraná, na comparação com o mesmo período de 2014. Quanto à receita nominal, que não prevê a atualização pela inflação do setor, o País contabiliza alta de 1,4% e o Estado, de 1,9%.
Crise produtiva
A redução na atividade industrial, que gera desemprego, diminui a renda familiar e, por consequência, o consumo, tem impacto direto no resultado de transportes. A piora de indicadores de comércio gera menor necessidade de carregamento de cargas e de armazenamento, o que impacta na receita do setor.
O diretor de Estatística do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Francisco Castro, afirma que a menor atividade econômica impacta diretamente nos transportes. "No Estado, o agronegócio está contribuindo para que não seja tão ruim, já que tivemos até um aumento de atividade no Porto de Paranaguá", conta.
Por outro lado, o presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas no Estado do Paraná (Setcepar), Gilberto Cantú, lembra que a queda média de volume de cargas industriais chegou a 20%. "Houve alguns casos até de 50%, com destaque para as montadoras, que também são fortes por aqui", explica.
Para 2016, Castro considera que o dólar valorizado pode dar um fôlego a partir do momento em que o País aumente a quantidade de exportações, principalmente da agroindústria. "Outros setores dependem de renda e emprego, que ainda devem diminuir no ano", completa. (Com Agência Estado)



