Os fatores que mais contribuíram para a defasagem em 2017 foram, em primeiro lugar, os aumentos dos custos, em especial o do combustível
Os fatores que mais contribuíram para a defasagem em 2017 foram, em primeiro lugar, os aumentos dos custos, em especial o do combustível | Foto: Saulo Ohara



O frete rodoviário apresenta uma defasagem de 16,95% no preço. O resultado faz parte da pesquisa de mercado apresentada durante o encontro do Conet (Conselho Nacional de Estudos em Transporte, Custos, Tarifas e Mercado), que terminou nesta sexta-feira (2), em Natal (RN).
A pesquisa realizada pela NTC&Logística, em parceria com a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) envolveu 2.495 empresas de transporte rodoviário de cargas em todo o Brasil e traz um panorama de 2017. "Apesar da pequena recuperação do frete em 2017, essa não foi suficiente para recompor a defasagem acumulada nos últimos anos", afirmou Lauro Valdívia, assessor técnico da NTC&Logística.
Os fretes de carga lotação apresentaram uma defasagem maior (20,6%) do que as fracionárias (13,95%). O setor também amargou uma queda no faturamento e 47,6% diminuíram de tamanho. Dificuldade em repassar os custos aos clientes foi confirmada por 70% dos entrevistados e 85% declararam que não reajustaram ou deram descontos nos contratos.
Apesar de alto, o percentual é menor do que o apurado em janeiro de 2017, que foi de 90%. "As dificuldades do período também prejudicaram muito a cobrança dos demais componentes tarifários. Neste caso, é imprescindível que sejam cobrados de forma adequada", explicou Valdívia.
A crise econômica afetou a cadeia produtiva e o pagamento do frete ficou prejudicado. Em média, as empresas estão demorando 25,9 dias para receber o pagamento do frete. Como consequência disso, 40,6% delas estão com parte da frota parada e 29,3% sofrem com alguma ação trabalhista.
Os fatores que mais contribuíram para esta situação em 2017 foram, em primeiro lugar, os aumentos dos custos, em especial o do combustível (9,44% nos postos e 12,49% nas distribuidoras), depois as majorações de salários, que chegaram a 4,50%, aumento das despesas administrativas da ordem de 3,55%, manutenção (1,94%), preço dos pneus novos (7,56%) e preço dos veículos (8,60%).
"O setor de transporte rodoviário de carga foi fortemente atingido pela situação econômica do Brasil dos últimos quatro anos. As empresas transportadoras lutaram para se adaptar à nova realidade do mercado, reduzindo custos, diminuindo de tamanho, cedendo a exigências e, principalmente, reduzindo o frete", afirmou José Hélio Fernandes, presidente da NTC&Logística.
Apesar do cenário negativo do ano passado, o setor está otimista com 2018. "A variação do INCT (Índice de Custo do Transporte), em janeiro, foi de 3,80%. O índice apresentou queda em 2017 e poderia ter caído mais se não fosse a questão do diesel", comentou Valdívia. Desde julho do ano passado, a Petrobras está ajustando o preço dos combustíveis diariamente conforme a variação cambial e o custo do barril de petróleo.
A expectativa do setor é de um crescimento entre 8% e 10% neste ano. Uma projeção bem otimista. "Em geral, o transporte rodoviário de carga cresce duas ou três vezes o PIB. Então, a expectativa é uma alta de até 10%. Isso é muita coisa para o setor, principalmente se você analisar que as empresas estão descapitalizadas e muitas endividadas e sem capital para investimento", avaliou o assessor técnico.

Imagem ilustrativa da imagem Transporte rodoviário absorve custos da crise



Paraná
A característica agrícola do Estado influenciou para a estabilidade do preço do frete no Paraná. O presidente do Setcepar (Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas no Estado do Paraná), Marcos Battistella, afirmou que com o início da safra e o desempenho da indústria o setor conseguirá recuperar as perdas dos últimos anos.
Ele ressaltou a dificuldade das empresas de repassarem aos clientes os reajustes dos combustíveis, mas que o mercado terá que se ajustar ao novo modelo. "Ninguém quer ver o acumulado (aumento no período), ainda não há o hábito dessa forma de aumento diário. Está sendo um aprendizado para nós e vamos ter que aprender a trabalhar isso dentro dos custos e educar o setor", comentou o presidente do Setcepar.
Battistella avaliou a queda de 90% para 82% do percentual de entrevistados que não aumentaram o frete ou deram desconto como um indicativo que os embarcadores entenderam a necessidade de recompor os preços. "O embarcador está vendo que se não ajustar esses valores terá problemas para transportar as mercadorias. Ele está se antecipando à falta de caminhões e fidelizando as empresas", afirmou.

Otimismo com os pés no chão

O presidente do Setcepar (Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas no Estado do Paraná), Marcos Battistella, afirmou que o otimismo para 2018 é grande, porém com os pés no chão. O setor conta com a recuperação do mercado, mas ainda tem preocupações com a consolidação da Reforma Trabalhista e o marco regulatório que deve ser aprovado este ano.
As empresas estão sendo cautelosas no repasse dos custos aos clientes. "Estamos fazendo uma análise minuciosa dos critérios, avaliando o índice do INCT (indicador de custo do frete) para depois falar em reajuste. Mas os clientes já sabem do aumento dos custos e da necessidade de recuperação da defasagem", comentou Edvaldo Santos, gerente regional no Paraná da RTE Rodonaves Transportes.
Em 2017, a transportadora absorveu os custo do combustível e adotou práticas para reduzir despesas internas e custo de manutenção dos veículos para não mexer no quadro de funcionários. Para 2018, as expectativas são boas. "Passamos janeiro muito bem e esperamos continuar assim até o fim do ano", disse Santos. A empresa conseguiu manter a inadimplência baixa sem afetar o faturamento.

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