Em consequência da elevação nos custos de transportes no escoamento da safra de, cerca de 23% do valor da soja em grão corresponde ao custo de intermediação na comercialização da colheita, incluindo frete, pedágio, armazenagem e operações portuárias. Esta a conclusão de estudo da economista da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), Gilda Borges, ao demonstrar a importância da logística na competitividade das exportações dessa oleaginosa.
Ela observa que, por causa dos altos custos de escoamento do produto, o sojicultor é o maior prejudicado pela redução de sua renda. Ao mesmo tempo, ocorre comprometimento da capacidade competitiva do grão produzido no Estado. A economista elaborou monografia a respeito da questão no curso de Pós-Graduação em Engenharia da Produção pela Universidade Federal de Santa Catarina, sob orientação do professor MSc Valnei Carlos Denardin.
Até à porteira não há problema. Porém, no momento da comercialização do grão pós-porteira, o produtor vê sua rentabilidade cair de forma substancial’’, diz Gilda Borges. A soja exerce papel importante na economia paranaense ao responder por 19,6% do Valor Bruto da Produção. Em 2.000, isto significou faturamento de cerca de R$ 2 bilhões.
Embora os sojicultores empreguem tecnologia de ponta na produção, alcançando - ou superando índices de produtividade dos Estados Unidos -, o nó da questão está no escoamento. A privatização das rodovias encareceu o transporte, os veículos transportadores permanecem muito tempo parados nas filas lentas de carga e descarga. E até o carregamento fica dependente das condições climáticas. Isto sem contar que a maior parte dos produtores não dispõe de locais adequados para armazenamento da produção. Para complementar, apesar dos esforços, o Porto de Paranaguá continua ineficiente.
A economista conclui que os problemas enfrentados quando do escoamento da safra de soja paranaense (impacto dos fretes, armazenagem e tarifas portuárias, entraves sistêmicos - porto, rodovia, ferrovia) exige esforço conjunto da iniciativa privada e governo. A finalidade é a redução no custo de logística de transportes na medida em que a matriz de transporte brasileiro ainda é inadequada e onera o agronegócio brasileiro.

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