Transporte ferroviário cresce 15%
A participação do transporte ferroviário no escoamento da safra do Paraná deve crescer 15% este ano. Mas nem mesmo a maior concorrência entre transporte ferroviário e rodoviário irá evitar o aumento dos preços do frete. Segundo o presidente do Sindicato das Empresas Transportadoras de Cargas do Paraná (Setcepar), Ruy Cichella, no pico da safra, o transporte da soja no trecho Cascavel-Paranaguá deve ficar entre R$ 32,00 e R$ 33,00/tonelada. No ano passado, segundo ele, neste mesmo trecho, o frete ficou em R$ 21,00/23,00. Uma alta de mais de 55%.
Cichela disse que, além cobrança do pedágio nas rodovias do Paraná, a alta deve-se também às mudanças na política cambial que refletiram nos preços dos pneus e caminhões, e à elevação dos preços do combustível. A alta do custo de transporte rodoviário deve provocar uma migração de 15% do volume a ser transportado para ferrovia, disse. Segundo o presidente do Setcepar, o transporte rodoviário é responsável por 70% do escoamento da safra de soja do Paraná, e deverá movimentar seis mil caminhões.
O diretor comercial da Ferrovia Sul Atlântico, Valter Luis de Souza, disse que a empresa trabalha com a expectativa de crescimento de 15% do volume de soja a ser transportado via férrea. Nesta safra, a empresa espera transportar 5,35 milhões de t de soja.
Quanto ao preço do frete, o diretor da Sul Atlântico afirmou que deve haver reajuste devido ao impacto provocado com a alta do dólar nos custos da empresa. Muitos dos nossos itens de custo, como peças, equipamentos e trilhos, são importados, disse. Souza observou que no ano passado, o frete no trecho Londrina-Paranaguá foi da ordem de R$ 24,00. Mas ele preferiu não fazer previsão de como os preços devem ficar.
A Ferrovia Paraná S/A (Ferropar) também apostou no crescimento do transporte ferroviário, investindo R$ 2 milhões no terminal de recebimento de Cascavel, com a implantação de um novo tombador (plataforma utilizada no descarregamento dos caminhões), construção de dois silos com capacidade para armazenar 3,2 mil t, automatização das balanças e na construção de um terminal exclusivo para o escoamento de óleo vegetal.
Segundo o diretor-executivo da Ferropar, Benedito Nugnezi de Jesus, com as melhorias, o terminal está apto para transportar 2,2 milhões toneladas/safra. Para este ano, a Ferropar espera dobrar o volume transportado, passando de 800 mil toneladas em 98 para 1,6 milhão de toneladas de soja.
Jesus disse que ainda é cedo para fazer qualquer previsão sobre preços de frete no pico da safra. Tudo vai depender do comportamento do mercado e do volume exportado, comentou. Mas, segundo ele, frete do trecho Cascavel-Paranaguá, via férrea, deve sofrer um aumento de 22,3% já na primeira semana de março. Ontem, segundo Jesus, o custo para se transportar uma tonelada de soja era de R$ 18,00, na primeira semana de março, o frete passará para R$ 22,00/t.
O técnico do Departamento Econômico da Organização das Cooperativas do Paraná, Flávio Turra, observou que o comportamento dos preços do frete irá depender da distribuição da venda da safra. O problema é que os produtores devem procurar vender a safra de soja enquanto o dólar não encontrou uma estabilidade, concentrando a venda em um só momento, aumentando a procura pelo transporte, explicou.Arquivo FolhaNa LinhaTerminal da Ferropar, em Cascavel, irá duplicar o volume transportado este ano: 1,6 milhão de toneladasGuto Rocha





