Transporte derruba índice de serviços no Paraná
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quinta-feira, 18 de junho de 2015
Fábio Galiotto<br>Reportagem Local 
O Paraná teve o 12º pior resultado do País em abril sobre o mesmo mês de 2014 na Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), com queda de 1,0%. Foi também o terceiro pior resultado das regiões Sul e Sudeste, atrás apenas de Espírito Santo (-4,80%) e Rio Grande do Sul (-2,70%), puxado principalmente pela atividade de transportes, serviços auxiliares de transporte e correio, que caiu 3,9, conforme divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Houve desaceleração em relação à alta de 7,0% em março sobre o mesmo mês do ano passado. A média nacional foi de avanço em 1,7% em abril, desaceleração ante a alta de 6,1% de março e o pior resultado da série histórica iniciada em maio de 2013. Isso se deve porque o setor de transportes tem peso maior no Estado do que no País, segundo o diretor-presidente do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Julio Suzuki. Ele explica que a demanda diminuiu devido à redução da atividade industrial e à menor quantidade de cargas, aliadas ao menor gasto de famílias em viagens pela corrosão da renda pela inflação.
O acumulado paranaense no setor de serviços está em alta de 0,6% no ano e de 3,1% em 12 meses, também abaixo dos resultados nacionais, de 2,6% e 4,3%, respectivamente. No entanto, Suzuki acredita que não há diferenciação entre a situação paranaense e a média brasileira, que se deve ao fato de a crise econômica finalmente ter chegado ao setor de serviços. "Não só os serviços, mas o comércio, que completa o setor terciário, estavam mais resilientes à crise do que a indústria, que sofre há tempos", afirma o diretor do Ipardes.
Para o economista Roberto Zurcher, da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), é preciso se atentar para a redução do consumo das famílias. Desta vez, a alta de 9,9% nos serviços prestados à família em abril no Paraná ainda foi melhor do que a de 1,2% do País, mas ainda assim ele cita que a inflação, agravada pelos reajustes das tarifas de água e de energia elétrica, prejudica o consumo familiar. "Temos restaurantes em Curitiba que tiveram de reduzir os preços para tentar recuperar o movimento, porque as pessoas estão comprando menos porque estão com menos dinheiro."
O economista da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), Fábio Bentes, calcula que o avanço nominal de 1,7% em serviços em abril seja, na verdade, uma queda de 6,5%, quando descontada a inflação de 8,2% do setor no período. Ele diz que o fraco resultado não surpreende. "O mercado de trabalho sinalizava essa desaceleração", explica. A expectativa dele é de queda real na receita do setor de serviços entre 3,5% e 4,0%.
Juros
Mesmo que até o consumo de serviços tenha diminuído já em abril, os economistas afirmam que a tendência é que a taxa básica de juros, a Selic, continue a ser reajustada. "Não vamos ficar repetindo como chegamos até aqui, mas o foco hoje é controlar a inflação para manter a estabilidade do real", explica Zurcher. "É de se esperar que ocorra um aperto monetário maior, que deve diminuir ainda mais o PIB no ano, para trazer a inflação às margens da meta em 2016", completa Suzuki.
Dois lados
Os serviços básicos geralmente terceirizados, como limpeza, segurança e administração, parecem passar ao largo da crise. A receita do setor no País acelerou 9,9% em abril ante igual mês de 2014. Por outro lado, serviços técnico-profissionais tiveram queda nominal de 2,3%, porque incluem serviços jurídicos e consultoria, que acabam cortados mais rapidamente, diz a gerente da Coordenação de Serviços e Comércio do IBGE, Juliana Vasconcellos. O mesmo ocorre com comunicação, que caiu 0,1% principalmente por cortes em publicidade pelos governos federal, estaduais e municipais. (Com Agência Estado)



