Transporte de grãos está 116% mais caro
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quarta-feira, 05 de março de 2003
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
Curitiba O aumento no preço da soja contribuiu para disparar o preço do frete rodoviário no Paraná, que está liderando o escoamento da safra brasileira de grãos que neste ano deve superar os 100 milhões de toneladas. Enquanto a Associação Nacional de Transporte de Cargas (NTC) está recomendando reajuste de 17,85% no preço do frete em todo o País, no Estado os preços do frete rodoviário já dobraram.
Cooperativas e produtores já estão pagando R$ 65,00 por tonelada para o transporte de grãos, enquanto no ano passado, nessa mesma época, o desembolso por tonelada transportada era de R$ 30,00, o que representa reajuste de 116,66%. O valor do frete está atraindo caminhoneiros de outros Estados como Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Mato Grosso do Sul. A estimativa é que o volume de caminhões rodando pelo Estado tenha aumentado 12% até agora.
Mas Diumar Bueno, presidente do Sindicato dos Caminhoneiros Autônomos do Paraná (Sindicam), diz que esse aumento ainda não é suficiente para repor a perda da categoria. Segundo ele, os caminhoneiros autônomos trabalharam com prejuízo nos últimos quatro meses do ano passado, período de serviço escasso e aumentos constantes no preço do óleo diesel. E diz que o preço do frete deve subir pelo menos mais 25%, para compensar os prejuízos dos motoristas.
A direção da Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado do Paraná (Fetranspar) não acredita em novo reajuste no preço do frete, exceto se houver uma guerra entre Estados Unidos e Iraque, situação em que os preços do petróleo tendem a explodir, disse o diretor executivo da entidade, coronel Sergio Malucelli. Para ele, se o preço do frete ficar muito atrativo no Paraná, certamente virão caminhões de outros Estados e nesse caso o que vai vigorar é a lei da oferta e da procura, destacou.
Segundo Malucelli, a frota de caminhões graneleiros do Paraná, que faz o transporte da safra, é de apenas 4,5 mil veículos. Este ano o volume de caminhões está maior porque os caminhoneiros estão sendo atraídos tanto pelo preço do frete, que está remunerador, como pela disponibilidade de serviço.
Os embarcadores estão fazendo divulgação do volume da safra que deve ser transportada no Paraná para atrair mais caminhões de outros Estados, disse Malucelli. A previsão é que o Paraná tenha uma colheita de 10,5 milhões de toneladas de soja e pelo menos metade disso deve ser escoada pelo Porto de Paranaguá. O diretor da Fetranspar estima que 67% do escoamento da safra de grãos no Estado serão feitos por rodovia.


