Transporte da safra gera disputa no PR
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sexta-feira, 20 de março de 1998
Vânia Casado 
Albari RosaLonga EsperaCaminhões carregados com soja aguardam para descarregar no Porto de Paranaguá. Movimento deve crescer 15% nesta safra Com o início da safra, o número de caminhões no Paraná deve aumentar em 15%, passando de 40 mil unidades, que circulam em média no Estado, para 45 mil unidades aproximadamente. A movimentação de safra aponta o início de uma disputa entre o transporte rodoviário e ferroviário, que tende a se acirrar nos próximos anos. Enquanto a ferrovia anuncia que pretende transportar 60% do volume de soja este ano, rumo a Paranaguá, as transportadoras afirmam que o caminhão ainda lidera o transporte da safra agrícola no Paraná.
O presidente do Sindicato dos Ferroviários, Iverson Rocha, diz que a Ferrovia Sul Atlântico deverá transportar 3 milhões de toneladas de grãos, um crescimento de 37% em relação ao ano passado. Já o superintendente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas, coronel Sérgio Malucelli, afirma que 80% do transporte da safra será feito via rodovia e 20% por ferrovia.
As transportadoras também estão divididas em relação ao impacto provocado pelo aumento das operações da ferrovia. O proprietário da transportadora Gramado, de Cascavel, afirma que o transporte ferroviário está prejudicando o transporte rodoviário. Essa concorrência está refletindo nos preços do frete, que este ano estão bem inferiores aos preços praticados no ano passado. Segundo ele, o custo do frete entre as regiões de Toledo e Ubiratã até Paranaguá é de R$ 18,50 a tonelada, abaixo dos R$ 26,00 a R$ 27,00 a tonelada praticados no ano passado, durante o pico de safra.
Já o coronel Malucelli acredita o preço do frete tende a alcançar os valores do ano passado, quando a safra atingir o pico. Segundo ele, o custo de movimentação de safra chegou a atingir US$ 38 a tonelada, entre 1992 e 1993. Mas, destacou que desde aquela época houve uma deflação geral no País e certamente daqui para a frente o período é de concorrência, admite.
Malucelli salienta que o avanço da ferrovia ainda não está provocando impactos significativos no transporte rodoviário em função de problemas de transbordo e no afunilamento dos trilhos entre Curitiba e Paranaguá, quando cai a capacidade de transporte por ferrovia. Para quem está com pouco tempo para o transporte e está com o navio esperando no porto, o caminhão ainda é a melhor opção, diz Oswaldo Hipólito, do setor de transporte da Cocamar, de Maringá. Ele salienta que a ferrovia tem suas vantagens de transporte em escala, mas ainda não tem a agilidade do caminhão. Para Hipólito, enquanto uma locomotiva com 20 vagões carrega 1.000 toneladas, o transporte desse volume exige cerca de 40 carretas.
Enquanto as transportadoras ainda não se sentem incomodadas com a concorrência, a Ferrovia Sul Atlântico, que ganhou a concessão da Rede Ferroviária Federal, está investindo cerca de R$ 100 milhões desde o ano passado na recuperação de vagões, locomotivas e troca de trilhos e dormentes. Iverson Rocha disse que nessa safra a ferrovia está operando com toda a sua capacidade, o que confirma a sua disposição de disputar o mercado agrícola. Ele calcula que 90% das 230 locomotivas e 100% dos 5 mil vagões estão em operação.


