Transporte da safra está 100% mais caro
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quarta-feira, 07 de março de 2001
Vânia Casado De Curitiba 
O início do escoamento da safra de soja já provocou o reajuste de 100% nos preços dos fretes dos caminhões e 50% no frete ferroviário. Até o mês passado, período de entressafra, o frete na região Oeste do Estado estava cotado entre R$ 16,00 a R$ 18,00 a tonelada. A partir do início deste mês o custo mínimo do frete avançou para R$ 38,00 a tonelada, podendo chegar até R$ 45,00 a tonelada dependendo da oferta de caminhões, informou Gilberto Jacob Boiak, gerente da Bolsa de Cargas do Sindicato dos Caminhoneiros.
Ontem, em Cascavel, o frete rodoviário para transporte de grãos até o Porto de Paranágua estava cotado a R$ 45,00 a tonelada. E o frete ferroviário da região Oeste até o porto estava cotado em R$ 29,00 a tonelada. Esse aumento, verificado nos últimos 15 dias, surpreendeu cooperativas e produtores que estão vendo parte de seus lucros serem absorvidos pelo custo do frete.
O problema é que quem paga esse aumento é o produtor rural, disse Dilvo Grolli, presidente da Coopavel, em Cascavel. Segundo ele, a cooperativa vem utilizando frota própria e o resultado financeiro do transporte será distribuído posteriormente aos produtores cooperados.
Este ano a Coopavel espera exportar cerca 500 mil toneladas de soja e milho. A cooperativa conta um frota de 200 caminhões que permite o transporte de aproximadamente 80% deste volume. Os 20% restantes serão transportados via ferrovia, onde o custo é menor, disse Grolli.
Já a Cooperativa Agropecuária de Palotina (Coopervale) não teve a mesma sorte. A cooperativa é dependente de frete terceirizado e, pior que isso, está localizada numa região distante, cerca de 70 quilômetros do Paraguai, onde o custo do frete é o mais alto em relação às demais regiões do Estado.
O frete na região está cotado a R$ 52,00/t. Foi uma surpresa este valor, disse o gerente do Departamento de Operações de Mercado, Edvaldo Radigonda. No mês passado, a cooperativa pagava entre R$ 28,00 a R$ 30,00 a tonelada, o que corresponde a um aumento de R$ 22,00 por tonelada. Com isso, o produtor perde em torno de R$ 1,30 por saca de soja, calculou.
O valor atual do frete, correspondente a US$ 26 por tonelada, está muito acima da média dos ano anteriores quando o valor do frete na região variava entre US$ 20 a US$ 22 a tonelada. Para baratear esse custo a Coopervale poderia tentar a ferrovia, mas os vagões da Ferropar empresa que serve à região são insuficientes para atender a demanda, explicou Radigonda.
Para o Sindicato dos Caminhoneiros (Sindicam), a elevação do preço do frete este ano se deve à escassez de caminhões. Com o aumento da safra e menor número de caminhões disponíveis cresce a disputa por veículos, disse Boiak. Já o empresário Vilson Pilati, um dos proprietários da Transportadora Pilati, de Cascavel, disse que não houve aumento acentuado no valor do frete. Mas sim uma recomposição dos preços, porque eles estavam defasados. De acordo com Pilati, o caminhoneiro e as empresas transportadoras de grãos têm apenas os três meses de escoamento da safra para ganhar dinheiro. No restante do ano, ficam rodando para empatar custos, se defendeu.


