Transporte aéreo é pouco utilizado
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quinta-feira, 23 de agosto de 2001
Luciana Pombo<BR>De Curitiba 
O transporte aéreo de cargas movimenta atualmente 0,3% do total transportado em todo o Brasil, perdendo para todos os demais modais de transporte de cargas, como rodoviário (62%), ferroviário (20%), aquaviário (14%), dutoviário (4,5%) -algumas mercadorias passam por mais de um modal. A maior parte da movimentação ainda é de importação, que representa 29% do movimento de cargas do setor. ''Isso só vem a demonstrar que o setor tem muito o que crescer'', afirmou o professor Edelvino Razzolini Filho, doutor e pesquisador em logística da Universidade Tuiuti do Paraná.
O Brasil conta hoje com 30 aeroportos, uma rede de terminais de carga, linha azul (Campinas, Guarulhos, Galeão), 42 companhias aéreas e cinco aeroportos que trabalham exclusivamente com cargas. São 11 mil empresas de encomendas expressas no País, mas apenas quatro delas dominam 85% do mercado.
Enquanto o setor de transporte aéreo nacional cresce apenas 2% ao ano, o Aeroporto Internacional Afonso Pena, situado em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, acumula um crescimento no primeiro semestre deste ano de 11%. Do ano passado para este, o crescimento impressiona. A movimentação que era de mil toneladas, passou para 32 mil.
Os empresários do ramo de transporte de cargas reclamam da falta de infra-estrutura do aeroporto, que apesar de contar com duas pistas já é o sexto do País em cargas. ''Temos aqui o vôo do pé quebrado. A aeronave chega carregada, mas não pode carregar. Temos que enviar as cargas para outros aeroportos pela falta de uma terceira pista'', analisou Valmor Weiss, presidente da Federação de Transportes do Paraná e vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep).
Um estudo feito por empresários do Afonso Pena mostrou que existe viabilidade econômica para o investimento na construção de uma terceira pista, orçada em R$ 74,4 milhões. A pista teria 3,8 mil metros de extensão por 45 metros de largura. O estudo ainda prevê a construção de um novo terminal com 15 mil metros quadrados de área de armazenagem comportando 100 metros cúbicos de mercadorias.
A alternativa será analisada pela Infraero nacional. O presidente Fernando Perrone afirmou que o Paraná tem crescido de forma diferente dos outros estados por causa dos avanços industriais. ''O que acontece no Paraná é diferente do que ocorre no resto do Brasil. O Paraná sofreu um surto de industrialização. Precisa realmente de novos investimentos em infra-estrutura'', admitiu. Ele deverá realizar encontros com empresários paranaenses para a viabilização de projetos e estudo de custos. ''Vamos analisar a relação custo/benefício. Recursos temos. Basta que tenhamos bons projetos e parceiros'', afirmou ele.
O secretário de Planejamento e Investimentos Estratégicos do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, José Paulo da Silveira, disse ontem durante o 2º Fórum Infraero de Logística para o Desenvolvimento, em Curitiba que serão feitos investimentos prioritários nos aeroportos de Porto Alegre (RS), Palmas (TO), Salvador (BA), Recife (PE) e Porto Velho (RO) até 2002.


