A soja é um bom exemplo de como a agricultura brasileira perde a corrida para seus concorrentes no longo caminho das regiões produtoras até os portos. A despesa com transporte consome quase 15% com a receita líquida com a exportação do grão. Estudos da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), estimam que o preço médio do frete ao porto no Brasil fica na casa dos US$ 37,00/tonelada, contra US$ 17,00/tonelada na Argentina e US$ 15,00/tonelada nos Estados Unidos.
A razão para esta diferença não está simplesmente no fato de as regiões produtoras a cada ano mais se afastarem da costa brasileira. O baixo custo do transporte da soja nos EUA deve-se ao fato de 61% da safra navegar através do Rio Mississipi, do Corn Belt até o Golfo do México.
No Brasil, apenas 3% da safra de soja é transportada através de hidrovia, segundo levantamento da própria Abiove. Nos EUA, apenas 16% das safra de soja é transportada por caminhões, contra 67% no Brasil.
No transporte ferroviário os números se aproximam: 28% no Brasil e 23% nos EUA. Cálculos das empresas de logística são de que o custo de transporte de uma tonelada de grãos por 1.000 km no Brasil ficam em R$ 40,00 para rodovia; R$ 29,00 por ferrovia e R$ 12,00 por hidrovia.
O produtor rural e corretor de grãos Moisés Sachetti, da Lucra Corretora, de Cuiabá (MT), destaca que os investimentos feitos no últimos anos em infraestrutura de transportes, nas três modalidades principais, permitiram que o preço do transporte da soja do Chapadão dos Parecis (MT) até Paranaguá (PR), que no início da década atingia no pico da safra US$ 100,00/tonelada, atualmente não ultrapasse US$ 75,00/tonelada.
Sachetti diz que a tendência para o próximo ano é de que os custos do frete caiam ainda mais, com a alternativa de uso da Ferronorte, que passa a funcionar em plena carga em abril/99.
As hidrovias Tietê-Paraná e Rio Madeira estão possibilitando ao Brasil recuperar parte do atraso neste tipo de transporte. No ano passado, a Tietê-Paraná deve transportar neste ano 6 milhões de toneladas de grãos, contra 4,4 milhões de toneladas em 1995.
A Hidrovia Rio Madeira, uma conjunção de investimentos públicos e privados para escoamento da safra da Chapada dos Parecis (MT) através de Porto Velho (RO) e Itacoatiara (AM) com destino a Roterdan, devendo escoar nesta safra 700 mil toneladas de soja.
A multimodalidade ampliou o leque de opções das empresas, que hoje dispõe não só de vários meios como de rotas alternativas, o que não ocorria antes quando estavam limitadas ao transporte por caminhões.
A Caramuru, cujos produtos saem da fábrica de Itumbiara (GO) com destino aos portos e centros consumidores, nos últimos anos passou a utilizar a ferrovia, que se tornou um meio de transporte mais eficiente e confiável, segundo César B. de Souza, diretor da empresa. Hoje, diz ele, ‘‘é possível saber com certeza o prazo de chegada da carga’’.
Outra alternativa utilizada pela Caramuru é a hidrovia Tietê-Paraná, que facilitou o acesso ao Porto de Santos, para onde são destinadas cargas que antes iam para Paranaguá. ‘‘O baixo custo do transporte hidroviário compensa os altos custos do Porto de Santos’’, diz ele.
O transporte multimodal acaba sendo muito mais prático do que quando só era possível utilizar um dos meios, como a rodovia por exemplo. Por Tubarão (ES), a empresa projeta escoar 80 mil toneladas de farelo de soja até o final deste ano.
No ano passado, o volume exportado por Tubarão foi de 22 mil toneladas. De São Simão a Santos (utilizando hidrovia, rodovia e ferrovia), a estimativa é de transporte de 215 mil toneladas, ante 127 mil toneladas de 97. Por Paranaguá, via rodovia, o volume transportado caiu de 114 mil toneladas para 50 mil toneladas.
No caso da soja em grãos, a Caramuru estima um volume de 25 mil toneladas escoadas por Santos e outras 25 mil toneladas por Paranaguá, via rodovia. Em 97, o volume que chegou a Santos via ferrovia foi de 67 mil toneladas. Por Paranaguá, o volume foi de 27 mil toneladas em 97.
Via hidrovia/rodovia, por Santos, a Caramuru aumentou o volume escoado de 21 mil toneladas em 97 para 50 mil toneladas nesses ano. Já no modal rodovia/ferrovia por Santos não haverá escoamento neste ano. No ano passado, o volume foi de 17 mil toneladas.
Segundo Souza, o custo do frete aumentou para Tubarão, via rodovia/ferrovia, de R$ 35 (97) para R$ 38/tonelada. Os outros trechos apresentaram redução no custo do frete.

mockup