Transportadores querem modificações no Modercarga
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terça-feira, 27 de janeiro de 2004
Agência Estado 
São Paulo - O Modercarga, programa de financiamento de caminhões novos e usados lançado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em dezembro, não agradou ao setor de transporte de cargas.
Hoje, o presidente da Associação Nacional do Transporte de Cargas (NTC), Geraldo Vianna, conversa sobre o assunto com o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, em Brasília. Segundo ele, o programa tem deve ser revisto. Os transportadores defendem a criação de um programa de renovação da frota que acompanhe o Modercarga, além de mudanças no sistema de financiamento.
O Modercarga será financiado com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com taxas de juros fixas. Apesar de ter sido anunciado antes do fim do ano, o plano ainda não saiu do papel, na prática.
Segundo cálculos da NTC, a frota de caminhões do Brasil supera 1 milhão de veículos, com idade média de 18 anos. O propósito do governo federal, com o Modercarga, é reduzir essa idade média para 10 anos e elevar em 10% o volume interno de vendas (67.826 unidades em 2003). Segundo a NTC, o Modercarga, para o qual o BNDES reservou R$ 2 bilhões, tem potencial para financiar 25 mil caminhões no máximo. São vendidos, hoje, no Brasil, mais de 60 mil veículos por ano.
Para o engenheiro de Transporte e assessor técnico da NTC, Neuto Gonçalves dos Reis, o Modercarga não vai conseguir seu objetivo de diminuir a idade média da frota de caminhões nacionais porque não foi acompanhado de um projeto de renovação da frota, ou seja, a retirada de circulação dos veículos mais antigos e sua inspeção técnica. ''Considerando um sucateamento natural de 2% da frota total por ano, chegaremos no final de 2006 com uma idade média muito parecida com a atual'', diz o engenheiro.
Para Reis, a utilização do Modercarga pelos caminhoneiros é limitada porque ele financiará no máximo dois caminhões e 70% do valor do bem, com prazo de carência de apenas três meses. Segundo ele, falta um fundo de aval, uma espécie de seguro contra a inadimplência. Os juros também são considerados altos. A taxa efetiva, segundo Reis, é de 17%, que compreende os juros fixos de 12% do programa, mais a remuneração do agente financeiro e outros encargos.
Além disso, Reis lembra que o projeto chega num momento em que as transportadoras e os caminhoneiros estão descapitalizados. Os caminhoneiros, segundo Reis, têm grande dificuldade de crédito e sofrem com a falta de garantias para oferecer no momento de acertar o financiamento dos veículos.
Poderão ter acesso ao financiamento pessoas físicas (autônomos), micros, pequenas e médias empresas de transporte. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Industria e Comércio Exterior, o programa permitirá aos transportadores a aquisição de 20 mil veículos novos e usados.


